Brasília – O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi o alvo de várias manifestações e protestos em São Paulo, Brasília e no Rio de Janeiro. Diversas entidades estudantis, partidos políticos, grupos de mulheres e trabalhadores sem terra integraram atos contra a presença de Bush com citações contra a guerra no Iraque. Nas três capitais, houve união das manifestação anti-Bush com as que pediam direitos das mulheres. A principal delas aconteceu em São Paulo com cerca de 5 mil pessoas, segundo cálculos da polícia, e 20 mil, de acordo com os organizadores. Houve confrontos com a PM. Pessoas ficaram feridas com estilhaços de bombas de gás e balas de borracha.

Em São Paulo, cerca de 50 entidades de mulheres organizaram o ato, lideradas pela Marcha Mundial de Mulheres (MMM), e com a participação de partidos políticos, como PCdoB e P-SOL, e muitos estudantes ligados à União dos Estudantes do Brasil (UNE) e União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES). A manifestação saiu da Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, e seguia em uma faixa até a concentração final, em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp). Os manifestantes levavam faixas de "Fora: Bush do Iraque e Lula do Haiti", "Paz no Iraque" e "Salário iguais entre homens e mulheres". Perto de seu fim, o grupo negociava a ampliação do bloqueio do trânsito na avenida para o protesto abrigar todos no local. Nesse momento, houve o início da repressão da polícia.

O confronto durou cerca de 15 minutos. Lideranças de várias entidades criticam a repressão da Polícia Militar de São Paulo à manifestação. Alguns protestantes responderam com pedras sobre o grupo. De cima do carro de som, as lideranças feministas, que davam o tom das críticas sobre a desigualdade de gênero e da postura norte-americana, fizeram apelos para a polícia não atacar o grupo. Um dos que presenciaram a confronto foi o deputado federal, Ivan Valente (P-SOL-SP), estava presente na manifestação.

"Eu estava negociando com o coronel da PM a abertura da Avenida Paulista para facilitar a concentração de pessoas. Quando estávamos dialogando, tentando convencê-lo, explodiu já o conflito ali já na esquina. Foi bomba de gás, correria, um conflito feio com feridos de bala de borracha, o que é um absurdo. É uma utilização criminosa. Pode cegar gente. Até matar. Tudo isso por conta da repressão", criticou.

Uma senhora, de cerca de 40 anos e integrante dos movimentos feministas da marcha, estava à frente da manifestação e foi atingida por uma bala de borracha na perna. Após ter sido socorrida e atendida por alguns alunos de medicina da Universidade de São Paulo (USP), foi levada para o Hospital das Clínicas. A maior parte dos policiais da tropa de choque que entrou em confronto não usava tarjeta de identificação, o que é parte obrigatória do uniforme do policial.

Em Brasília, uma manifestação pacífica de cerca de 400 mulheres da Via Campesina se realizou em frente à embaixada dos Estados Unidos. Com gritos de guerra, faixas de "Fora Bush", rodas de ciranda e uma apresentação de teatro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que caricaturava o presidente norte-americano. "Estamos fazendo um manifesto de repúdio à vinda dele (Bush). Os Estados Unidos vem hoje querendo se apropriar do Brasil e um dos principais motivos dessa manifestação é a questão da monocultura da cana, que é incentivada pelos EUA", diz Marlei Bitencourt, integrante da coordenação distrital do MST.

No Rio de Janeiro, cerca de 200 manifestantes ligados a entidades sindicais partidos políticos e estudantes fizeram uma manifestação em frente ao consulado dos Estados Unidos no centro da cidade. Segundo informações da PM, os manifestantes jogaram pedras, pedaços de ferro e de madeira, e jogaram tinta vermelha contra a fachada do prédio do consulado que ficou com vários vidros quebrados. Um segurança do consulado foi atingido por uma lata de tinta, ficando levemente ferido. Quatro dos manifestantes tentaram invadir o prédio, mas foram contidos pela segurança do consulado. Os manifestantes também queimaram um boneco simbolizando a figura do presidente norte-americano.

Os manifestantes distribuíam panfletos com críticas ao presidente americano e sua política externa. Após o protesto, a Polícia Militar manteve segurança no local com cerca de 15 policiais militares e apoio de carros de patrulha. A manifestação começou por volta de seis da tarde e durou cerca de 15 minutos. Os manifestantes seguiram para a Cinelândia e pararam o trânsito na Avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade.