O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide a nova taxa de juros esta semana à sombra de uma bandeira branca hasteada na Esplanada dos Ministérios. A torcida para que o BC seja mais ousado e acelere o ritmo de queda dos juros continua existindo. Porém, não se vêem mais autoridades criticando o conservadorismo excessivo na condução da política de juros. Pelo contrário: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que costumava dar declarações pedindo ao Banco Central cortes mais fortes nos juros, na semana passada saiu em defesa da instituição.

"O BC tem de perseguir a meta de inflação. Essa é a sua incumbência, a sua missão." Interlocutores de Mantega interpretam essas declarações não como sua adesão ao ideário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mas como uma preparação de terreno para um corte mais forte nos juros. Por essa leitura, o Copom estaria se preparando para mudar o ritmo de queda dos juros, atualmente em 12,75% ao ano. Em vez de cortar 0,25 ponto porcentual, como nas últimas duas reuniões, a redução seria de 0,5 ponto. Esse movimento, porém, não poderia ser feito se Mantega pressionasse publicamente por um corte mais profundo, porque nesse caso a decisão do Copom pareceria política – e não técnica, como deve ser.

Entre os economistas de bancos e consultorias, porém, a aposta majoritária é que o corte ficará mesmo em 0,25 ponto porcentual. Eles reconhecem que há condições técnicas para uma redução mais forte, mas acham que ela não acontecerá.