Após 14 horas de depoimento à CPI do Mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza encerrou sua fala dizendo que foi usado pela cúpula do PT. "Em português claro: me senti usado pelo PT, pela cúpula do PT. O senhor Delúbio Soares, o senhor Marcelo Sereno, o senhor Sílvio Pereira, o senhor José Genoino e o senhor José Dirceu", disse o empresário. Marcos Valério disse que descobriu ter sido usado quando o governo federal cancelou todos os contratos que tinha com suas agências de publicidade, depois que estourou o escândalo do mensalão.

O empresário Marcos Valério disse, no fim do depoimento à CPI do Mensalão que o ex-ministro Luiz Gushiken, além do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, também sabia dos empréstimos feitos para o PT e dos repasses a políticos e fornecedores sem declaração à Justiça Eleitoral. Disse ainda que o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais, também sabia de operação semelhante usada em 1998 na campanha do PSDB mineiro.

O deputado tucano Nárcio Rodrigues (MG) tinha acabado de dizer que Dirceu e Gushiken estavam "envolvidos até a cabeça" e tinha assegurado que Azeredo não sabia do esquema montado por Valério na campanha de 1998. Marcos Valério afirmou, então: " As suas últimas palavras, deputado, eu endosso todas. Que o ministro José Dirceu sabia e o Gushiken. Mas não tenho provas, não vi, não conversei (com eles). São conversas que tive com o senhor Delúbio Soares. Mas que o senhor Eduardo Azeredo não sabia eu não endosso. Ele sabia."

Valério reiterou que nunca conversou com Dirceu nem com Gushiken sobre o esquema de caixa 2 e que ouviu do ex-tesoureiro Delúbio Soares que os dois ex-ministros tinham conhecimento do funcionamento das operações financeiras.