Belo Horizonte (AE) – Além executar, judicialmente, o PT, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse hoje que irá à Justiça contra órgãos que romperam os contratos que mantinham com as agências de publicidade. Valério disse que contratou o advogado Rodolfo Groupen, de Belo Horizonte, para ajuizar as ações. "Ele já está com toda a procuração e irá notificar o PT esta semana, com a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), com tudo, inclusive aquela prestação que eu paguei de R$ 351 (mil)", disse.

Valério confirmou que entrará com ações contra o Banco do Brasil (BB) e as Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), que suspenderam os contratos com a agência de publicidade DNA Propaganda.

"Romperam os contratos da DNA e da SMP&B (Comunicação). Por que agora não rompem os contratos do Duda (Mendonça, publicitário)? Eu faço uma proposta: vamos fazer uma licitação geral em todas as contas, já que o governo federal está sob suspeita."

Descontraído, o empresário comentou o pedido formal de desculpas à Nação feito hoje pela executiva petista, diante do envolvimento dos dirigentes nas denúncias de caixa dois. "Eu gostaria que (o partido) além de pedir desculpas, ele reconhecesse a minha dívida. Afinal de contas, eu fiz (os empréstimos) para atender ao próprio PT."

Advogados de Valério anunciaram que ele deverá cobrar na Justiça uma dívida de cerca de R$ 100 milhões referentes a empréstimos tomados por ele e as empresas dele nos Bancos Rural e BMG, entre 2003 e 2005. O dinheiro, alega, foi captado para repassar ao partido.

Doleiro

O empresário afirmou que, no período em que conviveu com dirigentes petistas, nunca ouviu referências sobre o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o "Toninho da Barcelona". "O Delúbio (Soares, ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT) nunca tocou nesse nome ‘Toninho Barcelona’ comigo. Nunca me falou de remessa de dinheiro. A única coisa que eu recebia do Delúbio era a ordem para os pagamentos."

Valério afirmou também que não conhece e nunca teve contato com o doleiro. "Toninho da Barcelona" disse a parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios que tem conhecimento de operações de remessa de dinheiro para o exterior feitas pelo PT, por Delúbio e o deputado José Dirceu (PT-SP).

O empresário, acusado de ser o operador do suposto "mensalão" no Congresso, nega ter contas no exterior.

Lobista – Depois de negar, Valério reconheceu hoje que o lobista Nilton Antônio Monteiro esteve em junho no escritório de advocacia Tolentino e Melo Associados e foi atendido pelo sócio Rogério Tolentino e outro advogado. Segundo ele, Monteiro chegou acompanhado de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha à reeleição no governo de Minas Gerais, em 1998, do presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo.

O lobista alega que se encontrou com Valério, que estava preocupado e tinha interesse em "esquentar" de R$ 40 milhões a R$ 60 milhões em notas. "Eu não cheguei a conversar com ele", rebateu Valério, que relatou uma suposta proposta feita por Monteiro ao sócio.

"Você não vai acreditar, mas ele veio me oferecer a Barra da Tijuca por R$ 40 milhões. Ele falou que, se eu quisesse esquentar R$ 40 milhões, ele tem a Barra da Tijuca, que ele pode me vender, pois é um processo que está com ele há muito tempo e que ele vai ganhar."