Belo Horizonte (AE) – O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza pediu hoje à Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte para adiar o depoimento dele, marcado para a tarde de hoje. Ao responder a intimação, o advogado de Valério, Marcelo Leonardo, enviou um fax requerendo ao delegado Rodrigo Teixeira a transferência do testemunho para terça-feira (16). Segundo Leonardo, ele não tinha hoje condições "físicas e psicológicas" de comparecer.

Teixeira queria ouvir Valério sobre dois inquéritos que apuram empréstimos suspeitos obtidos pelas agências de publicidade SMP&B de Comunicação e DNA Propaganda nos Bancos Rural e Credireal. Os dois casos não têm ligação direta com os repasses de dinheiro ao PT e aliados. O advogado alegou que o empresário está muito desgastado pelas viagens a Brasília e os depoimentos seguidos nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) dos Correios e do Mensalão.

De acordo com a assessoria de Valério, ele pretende descansar e dedicar mais tempo à família no fim de semana.

De acordo com o delegado Alexandre Leão, da PF na capital mineira, uma das investigações apura as circunstâncias de um empréstimo de R$ 1,6 milhão do Credireal, que foi privatizado, para a SMP&B.

Uma fazenda do pai do vice-governador Clésio Andrade (PL), na época sócio da agência de publicidade, foi avaliada em R$ 2 milhões para servir de garantia à operação. Na verdade, o imóvel valia cerca de R$ 330 mil. A quitação fraudulenta da dívida era investigada pelo Ministério Público (MP) de Minas Gerais, mas Valério foi, formalmente, nomeado réu na ação civil depois da crise política.

A outra apuração investiga um empréstimo de R$ 8,35 milhões tomado pela DNA no Rural, em 1998, que alcançou o valor de R$ 13,9 milhões em 2003. No mesmo ano, um acordo quitou o débito por R$ 2 milhões. O dinheiro teria sido usado para formar o caixa dois da campanha da coligação do presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, então candidato à reeleição no governo do Estado.