Quase três meses após ser incluído entre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a demora na concessão da licença prévia do projeto do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira está irritando o Palácio do Planalto e sendo apontado como pano de fundo para um grande troca-troca no Ministério do Meio Ambiente. ?A ministra Marina Silva, confirmada no cargo, está fazendo uma reflexão normal sobre suas metas e os assessores que deverão tocá-las no segundo mandato?, disse ao jornal O Estado de S. Paulo uma fonte de governo.

Embora prefiram não relacionar diretamente a possível mudança estrutural à lentidão na concessão de licença para o início das obras, interlocutores da ministra reconhecem ?um certo incômodo? com a demora no processo de tirar do papel as obras na região Norte.

Em Roraima, as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, prevêem a produção de 6.450 MW de energia elétrica. Nos planos do PAC, a meta é ter esses empreendimentos em fase final em 2010. Juntas com outro projeto de usina para o Norte, a Belo Monte, as três obras são consideradas vitais pelo governo Lula para a garantia de um crescimento econômico de 5% nos próximos anos.

No entanto, nada pode começar sem a licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), anterior à licença de instalação, que permitirá o início efetivo das obras. Comandado pelo petista Marcos Barros, o Ibama está no centro da polêmica. Barros estaria de malas prontas para deixar o instituto desde dezembro, segundo fontes do governo, e aguarda apenas o sinal verde da ministra, que viria com a reestruturação dos postos-chave. Petistas gaúchos, como o secretário-executivo Cláudio Langone, segundo na hierarquia do ministério, estariam na lista de saídas, com chance de ser substituído pelo secretário de Biodiversidades e Florestas, João Paulo Capobianco, muito ligado a ambientalistas de ONGs e à própria Marina.