A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apresentou ontem, em São Paulo, ao ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, a proposta brasileira de criação de um fundo de incentivo para a redução do desmatamento em países em desenvolvimento. A proposta será divulgada oficialmente em novembro, durante a 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas (COP-12), em Nairóbi, no Quênia.

O democrata Al Gore veio ao País para participar ontem à noite da entrega do 24º Prêmio Eco, promovido pela Câmara Americana de Comércio, a 16 empresas que se destacaram em desenvolvimento sustentável e responsabilidade social. Aproveitou a viagem para divulgar o documentário Uma Verdade Inconveniente, sobre aquecimento global, e promover o livro homônimo.

Após o encontro, a ministra se disse confiante na boa repercussão da proposta e ressaltou o reconhecimento da militância ambiental de Gore. Os dois se conhecem desde a época do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em dezembro de 1988. ?Ele deve analisá-la e, talvez, possa se tornar um aliado? disse.

A proposta foi apresentada em agosto, em Roma, em reunião dos países signatários da convenção. O plano prevê a criação de um fundo financiado por países desenvolvidos para beneficiar as nações em desenvolvimento que consigam reduzir os índices de desmatamento de acordo com referências históricas preestabelecidas.

?Ainda que o Brasil não tenha responsabilidades obrigatórias, está fazendo seu dever de casa para reduzir a emissão de gases?, disse Marina. A Convenção sobre Mudança do Clima não estabelece metas obrigatórias de redução de emissões para países em desenvolvimento.

Para o Brasil, o foco das ações na área de mudanças climáticas é a alteração da matriz energética utilizada nos países desenvolvidos, já que cerca de 80% das emissões dos gases de efeito estufa são provenientes do uso de combustíveis fósseis, como o petróleo. Segundo a ministra, 45% da matriz energética e 81% da matriz elétrica que o Brasil utiliza são limpas.

A ministra destacou ainda o potencial brasileiro para o desenvolvimento dessas tecnologias energéticas limpas. ?Temos uma grande contribuição a oferecer ao mundo em relação a novas tecnologias e biocombustíveis?, disse.