Rio de janeiro – A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro abriu inquérito policial militar para apurar as circunstâncias e causas do acidente ocorrido na noite da última terça-feira (17) na Baía de Guanabara, envolvendo um navio cargueiro das Bahamas e um barco pesqueiro que transportava mergulhadores em serviço na manutenção de um emissário submarino na orla da capital fluminense.

O barco, que tinha 12 pessoas a bordo, afundou. Quatro dos tripulantes conseguiram saltar no momento do naufrágio, foram atendidos no Hospital Central da Marinha e passam bem. Os outros oito ainda estão desaparecidos.

Desde a madrugada, a Marinha trabalha para resgatar as vítimas, empregando mais de 200 homens na operação de busca. Na manhã desta quarta-feira (18), a embarcação que afundou foi localizada no meio da baía, a 37 metros de profundidade.

De acordo com o capitão dos Portos do Rio de Janeiro, Monteiro Dias, o mau tempo e as fortes correntes marítimas estão dificultando o trabalho dos mergulhadores, que ainda não puderam identificar se os ocupantes do barco estariam presos junto aos destroços no fundo do mar. ?O acidente foi muito grave, o impacto muito violento e a embarcação foi destruída. Havia pedaços de madeira, inclusive presos à âncora do navio. Conseqüentemente, as pessoas que estavam descansando dificilmente tiveram tempo de sair da embarcação? disse ele.

Por determinação da Capitania dos Portos, o navio cargueiro foi impedido de deixar, por enquanto, as águas brasileiras. A embarcação que vinha de Itajaí, em Santa Catarina, e seguiria para a Ucrânia, entrou na baía de Guanabara apenas para abastecer.

O comandante e o timoneiro do navio prestaram depoimento nesta manhã na Capitania dos Portos. Também já foram ouvidos os mergulhadores que conseguiram sair do barco que naufragou.

Segundo o capitão Monteiro Dias, já existem muitas informações e indícios sobre as circunstâncias do acidente, mas é prematuro fazer qualquer afirmação sobre os fatores que determinaram a colisão. ?Seria prematuro precisar o que ocorreu. Nós já temos uma idéia do ocorrido. Logo após o acidente, filmamos tudo, ouvimos as pessoas envolvidas, temos indícios, mas só o inquérito vai dizer realmente o que ocorreu?.

O capitão ressaltou que, na noite de ontem, a visibilidade era boa e não havia problemas de navegabilidade no local. De acordo com ele, a falha humana é a causa de cerca de 80% dos acidentes de navegação.

Dias explicou que o conjunto de regras internacionais de navegação, denominado Regras para Evitar Abalroamento no Mar (Ripeam) prevê que a embarcação que avista outra pelo lado direito é que deve manobrar para impedir uma colisão. De acordo com ele, o inquérito, que tem prazo de conclusão de 90 dias, vai apurar se essas regras foram cumpridas. ?Quem não cumpriu as regras é que é o culpado?.

O capitão disse que não havia desvio na rota do navio mercante. Ele não quis, entretanto, avaliar qual das embarcações  teria deixado de fazer a manobra prevista. 

Em abril deste ano, um acidente de grandes proporções ocorreu na Baía de Guanabara, quando 30 pessoas ficaram feridas por causa do choque entre uma balsa e um aerobarco que fazia transporte de passageiros.