O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, ainda está depondo na Polícia Federal a respeito das denúncias de que faria parte de um esquema de arrecadação de propina supostamente comandado pelo presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Segundo informações da assessoria da PF, o advogado José Ricardo Baitelo, um dos defensores de Marinho, disse que a orientação é que o ex-chefe do departamento conte tudo o que sabe a respeito do caso.

Marinho, segundo relato da assessoria, está assumindo inteiramente a responsabilidade pela negociação de propina com os supostos empresários que gravaram a fita em que ele aparece fazendo declarações que comprometem o presidente do PTB, sem atribuir qualquer responsabilidade ao deputado Roberto Jefferson. Segundo a assessoria da PF, o advogado disse que Marinho declarou que agia sob orientação de Jefferson para se valorizar profissionalmente.

O ex-chefe de departamento relatou que os supostos empresários estiveram por três vezes com ele nos Correios, e só na terceira e última vez é que foi feita a gravação. De acordo com o advogado, Marinho é um homem doente e, por isso, já tinha pedido afastamento do cargo. José Ricardo Baitelo, de acordo com a assessoria da PF, teria comentado ainda que a divulgação da fita teria finalidade política, com o objetivo de criar desgaste para o governo.

No depoimento, segundo o advogado, Marinho disse que vai doar para a alguma instituição de caridade voltada para o combate ao câncer os R$ 3 mil que recebeu como "adiantamento" da propina, conforme mostra a gravação, divulgada há uma semana pela revista "Veja".