O governador Roberto Requião alertou os produtores paranaenses contra os riscos que envolvem a opção pelo plantio de soja geneticamente modificada e salientou que a Medida Provisória autorizando o plantio não altera a situação do Paraná. Ele falou sobre o assunto durante a Festa do Plantio, promovida pelo Governo do Estado e a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), nesta sexta-feira.

“A MP reproduz a anterior e não altera nada porque autoriza o plantio por aqueles produtores que já estavam plantando, para eles não perderem as sementes. Isto não funciona aqui, só no Rio Grande do Sul”, explicou.

A Medida Provisória assinada pela Presidência da República libera o plantio de grãos transgênicos deixando claro que o agricultor tem que assinar o TRAC ? Termo de Responsabilidade e Ajustamento de Conduta, e não permite a comercialização de grãos como semente. Isto significa que só poderá plantar soja transgênica o agricultor que assinou o TRAC no ano passado e guardou sobras de sementes para plantar esse ano.

Sobre a existência de um suposto número significativo de agricultores interessados em plantar transgênicos, Requião salientou que este número não é real. “Existe uma simulação. Os interessados em propagar a transgenia simularam um número de interessados ao pedir aos produtores para apresentar o termo de ajuste de conduta e muita gente que não plantava foi levada a fazer isso. Pedimos ao Ministério da Agricultura para nos dar a relação para segregar o que fosse transgênico ? como previsto pela Legislação ? e não recebemos esta lista”, disse.

Como está proibida a comercialização do grãos geneticamente modificados da safra de 2004 como semente, bem como a sua utilização como semente em propriedade localizada fora do Estado onde foi produzida, isso significa que apenas os 574 produtores paranaenses que assinaram o TRAC para plantar soja transgênica no ano passado vão poder plantar esse ano. O agricultor que não assinou o termo que quiser plantar esse ano, ou tiver semente disponível para isso, vai admitir que cometeu contravenção no ano passado.

Requião lembrou ainda que a decretação do Estado como área livre de transgênicos está prevista na primeira Medida Provisória. “O presidente Lula se comprometeu a apoiar esta decisão do Estado, mas o ministro da Agricultura disse que havia soja transgênica no Paraná. Nós pedimos a relação dos interessados e ela nos foi negada. Há uma pressão muito grande para introduzir esta soja no Estado”, alertou.

O governador destacou ainda dois casos de produtores – dos Estados Unidos e do Canadá ? que simbolizam os riscos que os produtores brasileiros correm. Nos EUA, um produtor que optou pela soja transgênica foi surpreendido pela resistência das pragas e pela necessidade de aumentar a dosagem de agrotóxico. O depoimento de um fazendeiro canadense revela que os organismos geneticamente modificados podem fugir do controle do produtor e contaminar plantações convencionais vizinhas.

“As pessoas também esquecem que é proibido, no Brasil, o uso do glifosato como pós-emergente. E sem aplicação dele assim, a soja transgênica é um grande prejuízo para o produtor”, lembrou. Sobre as pesquisas nacionais, Requião informou ainda que a pesquisa com organismos geneticamente modificados pela Embrapa está restrita à climatização. “O que não deixa de ser experiência interessante, mas a Embrapa não detém a tecnologia da transgenia”.

Requião criticou a veiculação de notícias que consideram antecipadamente a liberação do plantio de transgênicos. “É uma canalhice e uma mentira. Uma jogada da mídia controlada para criar uma situação e introduzir esta soja à força, como no Rio Grande do Sul”, ressaltou ao esclarecer que a MP tem o objetivo de solucionar o problema criado pelo contrabando de soja transgênica para aquele Estado. “O presidente Lula não pode resolver o problema queimando a soja do Rio Grande, então eles irão continuar plantando”, esclareceu.