Presidente do BC defende continuidade
das medidas conservadoras.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deu novos sinais de que os juros ainda não devem cair na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) ao afirmar, ao jornal espanhol El País, que o banco será “conservador” no “médio prazo”.

O Copom se reúne na próxima semana sob forte pressão de empresários e até de membros do governo ? como o senador Aloizio Mercadante e o vice-presidente José Alencar ? para reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, que hoje está em 26,5% ao ano.

Para o empresariado, a inflação já mostra tendência firme de queda ? como mostraram todos os recentes índices divulgados pela Fipe, Fundação Getúlio Vargas e IBGE ? enquanto que os investimentos da indústria estão praticamente paralisados. Para evitar gargalos futuros, seria a hora de baixar os juros, dizem representantes da indústria.

O mercado, no entanto, alerta que a inflação ainda não caiu no varejo, apesar de estar muito próxima a zero no atacado. Por isso, o BC deveria esperar mais um ou dois meses para baixar os juros com maior segurança.

“A hora de baixar os juros será determinada pela taxa de inflação”, disse Meirelles. Depois, ele deu fortes sinais de que os juros não vai cair já ao afirmar que “não haverá queda dos juros até que a inflação baixe” e que “a prioridade é a redução da inflação, e utilizarei qualquer meio ao meu alcance para lograr esse objetivo”.

Em Sevilha (Espanha), onde participa de seminário sobre a América Latina, Meirelles disse ainda que estão mantidas as metas de inflação de 8,5% para 2003, de 5,5% para 2004 e de 4% para 2005.

Além disso, o presidente do BC fez nova apologia às reformas tributária e da Previdência ? que, segundo ele, deverão ter apoio do PT e da oposição – e que, depois, o governo deverá priorizar a nova Lei de Falências e o projeto que dá autonomia ao BC.

Dólar fecha a semana em baixa

A volatilidade foi a marca dos negócios no mercado de câmbio, ontem. Após subir 0,84%, atingindo R$ 2,995, a moeda norte-americana encerrou a sexta-feira na mínima do dia, a R$ 2,945 na venda, com queda de 0,84%. Na semana, no entanto, o dólar acumulou valorização de 2,43%.

Dois movimentos explicaram a volatilidade no câmbio: de um lado entradas de recursos provenientes de captações feitas no exterior ou de exportações e, de outro, bancos comprando dólares para refazer suas posições e honrar compromissos externos.

Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK, parte do mercado começou a avaliar que as sucessivas quedas ocorridas recentemente na cotação do dólar foi exagerada, o que provocou um ajuste técnico.

Cautela foi outro fator que teve peso nos negócios ontem. Segundo Wladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator, com as dúvidas sobre a tendência futura do câmbio e dos títulos brasileiros, alguns bancos elevaram a busca por hedge (proteção contra variações futuras do dólar).

“O mercado passou a avaliar se o movimento foi uma realização de lucros ou refletiu uma visão negativa dos investidores sobre o Brasil”, disse Caramaschi, a respeito da queda superior a 2% do C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, na quinta, acumulando desvalorização de 4% em dois dias. Já o risco Brasil subiu quase 8% anteontem.

A melhora no câmbio no período da tarde acompanhou o desempenho positivo dos negócios com títulos brasileiros. O C-Bond voltou a subir com mais força do que pela manhã, apontando valorização de 1,67%, a 87,68% do seu valor de face. O risco Brasil, que chegou a subir quase 2% pela manhã, tinha baixa de 0,98%, para 805 pontos básicos no momento do fechamento do câmbio.

A expectativa em torno da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sobre o juro básico (Selic) também inspirou cautela, embora haja praticamente um consenso de que o comitê vai manter a taxa em 26,5%, na reunião da próxima semana (dias 20 e 21).

A estimativa foi reforçada por afirmações feitas por membros do BC, como o próprio presidente da instituição, Henrique Meirelles.

Meirelles deu novos sinais de que os juros não devem cair na próxima reunião do Copom. Ele afirmou ao jornal espanhol El País, que o banco será “conservador” no “médio prazo” (matéria acima).