Brasília – Menos da metade (44,3%) dos nordestinos têm água encanada, enquanto na região Sudeste 70,5% da população tem acesso ao abastecimento de água. A desigualdade regional é um dos problemas apontados pelo Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado nesta semana pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. No geral, o abastecimento de água chega a 63,9% dos brasileiros.

Ter água não é sinônimo de ter abastecimento. Nas regiões Amazônica e Tocantins-Araguaia, Atlântico-Nordeste Ocidental e Parnaíba, "predominam os municípios com índices de cobertura menor que 25%", ressalta o Plano. Já a região hidrográfica do Paraná tem o maior número de municípios com índice de atendimento de 90%.

O desequilíbrio também ocorre no campo: menos de 30% da população rural de todo país tem acesso ao serviço. Ao todo, 12 milhões de brasileiros nas cidades e 22 milhões na área rural não têm abastecimento de água.

As desigualdades não são vistas apenas de uma região para outra ou entre as áreas rurais e urbanas. As diferenças locais representam um obstáculo para as políticas públicas. "Há dificuldade de avançar mais na universalização da cobertura urbana, já que a população ainda desprovida dos serviços localiza-se predominantemente nas áreas periféricas e de urbanização informal", diz o texto. O Plano sugere que sejam adotados programas específicos e integrados ao desenvolvimento urbano.