O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu na manhã de hoje (22) a expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares dos quadros do Partido dos Trabalhadores, argumentando que as operações de Caixa 2 da legenda, com a participação do empresário Marcos Valério, nunca foram discutidas pelo partido e, se tal discussão ocorresse, não seriam autorizadas.

"Nós vamos analisar hoje relatório da Comissão de Ética e acho que o direito de defesa é fundamental em todo o processo democrático para que se faça justiça, mas minha convicção é pela expulsão", disse Mercadante ao chegar ao Diretório Nacional do PT, na região da Sé, para participar da reunião que discutirá a votará o relatório da Comissão de Ética do partido sobre as denúncias envolvendo Delúbio, acusado não apenas de operar um esquema de caixa 2 no PT em parceria com Valério, mas também pelo suposto pagamento de mesadas (mensalão) a parlamentares em troca de apoio em votações de interesse do governo.

"Eu nunca ouvi falar de Marcos Valério, nunca fui apresentado a ele e jamais soube de sua empresa", sustentou Mercadante, ao condenar as ligações de Delúbio com o empresário mineiro. No entanto, ele admitiu não poder afirmar que Delúbio fosse o único responsável pelo caixa 2 no partido. Para ele, mesmo que o ex-tesoureiro tenha agido na melhor das intenções, "isto é incompatível com valores do PT e, portanto, tem de ser punido. É o preço doloroso que o PT tem de pagar".

Os participantes da reunião que fizeram declarações na chegada não confirmaram se Delúbio formalizaria o pedido de afastamento do partido para evitar um julgamento. De acordo com algumas versões que circularam ontem, Delúbio teria desistido de se afastar ao saber que mesmo assim seria julgado pelo partido.

Além do caso Delúbio, a reunião do Diretório terá a apresentação dos informes da Comissão de Sindicância do partido que analisa o caso de parlamentares petistas acusados de envolvimento em utilização de recursos de Caixa 2. O diretório atual irá, ainda, apreciar recursos do PED (Processo de Eleição Direta) e fazer uma discussão sobre conjuntura.

Na parte final do encontro deverão tomar posse o presidente eleito Ricardo Berzoini e os novos integrantes do diretório nacional, que, em seguida, elegerão a futura Comissão Executiva Nacional.