Brasília (AE) – O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), disse hoje que a elevação das taxas de juros que está sendo feita pelo Banco Central para alcançar o seu objetivo de 5,1% de inflação este ano, aumenta também a apreciação do real frente ao dólar. A moeda americana chegou a ser negociada ontem a R$ 2,60. "O aumento dos juros estimula a entrada de recursos especulativos no País, o que reforça a valorização do real", argumentou.

Mercadante disse que a desvalorização do dólar é um fenômeno mundial e está relacionada aos desequilíbrios da economia dos Estados Unidos, particularmente aos elevados déficits fiscais do governo Bush. "Esse movimento especulativo contra o dólar não pode ser enfrentado por nenhum Banco Central do mundo", afirmou. Para ele, no entanto, a elevação dos juros internos é um fator que reforça a valorização do real frente a moeda americana. "O desequilíbrio nas taxas de juros leva ao desequilíbrio do câmbio", disse.

"Estamos hoje com um problema de apreciação do real. Espero que desta vez esse processo não seja prolongado", observou, numa referência à política de câmbio fixo praticado durante o primeiro mandado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Foram os excepcionais resultados do balanço de pagamento do País nos últimos dois anos que colocaram o Brasil na boa situação em que se encontra", analisou. "O aumento das exportações precisa continuar como uma referência da política econômica", acrescentou.

A análise de Mercadante foi feita a um grupo de empresários que participou ontem de um seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para definir a agenda legislação do setor para 2005.

O líder do governo argumentou que a alta dos juros decorre da meta de inflação "irrealista" fixada para este ano. "O regime de metas de inflação é o melhor para o Brasil, mas a meta não pode ser irrealista", afirmou.

Mercadante lembrou que se opôs à meta de 4,5% de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano. Ele disse que a situação melhorou quando o Banco Central anunciou que trabalhava com o objetivo de 5,1% de inflação para este ano. "Melhorou, mas ainda é muito apertado", observou.

O líder do governo informou que em apenas dois anos o Brasil registrou uma inflação abaixo de 5,5%. "Defendo que a meta seja de 5,5% com margem de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo", disse. Ele informou que manterá a defesa dessa meta também para 2006. Para o próximo ano, o CMN já definiu uma meta de 4,5%, com margem de variação de apenas 2 pontos porcentuais.