O mercado financeiro continua a acreditar que há espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto porcentual na reunião de outubro.

É o que mostra pesquisa semanal divulgada, nesta segunda-feira, pelo Banco Central. A maioria das instituições consultadas pelo BC prevê que a Selic estará em 19% no fim de outubro, ante os atuais 19,50%. Nessa hipótese, os juros chegariam ao seu nível mais baixo desde os 18,75% de fevereiro deste ano.

O corte de 0,50 ponto porcentual chegou a ser colocado de lado por alguns analistas após a divulgação, na semana passada, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros foram reduzidos de 19,75% para 19,50%.

Os participantes da pesquisa do BC mantiveram a estimativa de inflação para este ano em 5,21%. A manutenção ocorreu mesmo depois de a ata do Copom ter informado que o BC já trabalha com uma projeção de inflação abaixo da meta de 5,1%. O moderado pessimismo do mercado em relação ao comportamento dos preços contaminou as expectativas de IPCA para setembro e outubro, que aumentaram de 0,33% para 0,35% e de 0,40% para 0 43%, respectivamente.

A piora pode ser explicada pelo reajuste dos preços dos combustíveis. O aumento anunciado pela Petrobras neste mês levou o mercado a aumentar a estimativas de alta dos preços administrados de 7% para 7,30%. Apesar disso, o porcentual estimado ainda é menor que os 7,8% previstos pelo BC na ata do Copom.

Para 2006, a previsão de aumento dos administrados permaneceu em 4,85%, porcentual também inferior aos 5,3% projetados pelo BC. O índice mais baixo de reajuste esperado para o próximo ano vem na esteira da queda da inflação medida pelos IGPs. Para o mercado, o IGP-M terminará este ano em apenas 1,56%.

A pesquisa do BC registrou também uma queda das estimativas de IPCA para 2006, de 4,80% para 4,64%. Com a redução, o porcentual ficou ainda mais próximo da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o próximo ano.

Na ata divulgada na semana passada, o BC informou que já trabalha com uma estimativa de variação do IPCA abaixo dos 4,5%. A previsão de inflação para os 12 meses à frente também caiu e recuou de 4,77% para 4,74%. Foi a terceira redução consecutiva desta estimativa, que estava em 4,89% há quatro semanas.

A expectativa do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, por sua vez, aumentou pela quarta vez seguida, avançando de 3,26% para 3,28%. Apesar do aumento, o porcentual estimado ainda é inferior aos 3,4% projetados pelo Ministério do Planejamento na semana passada.

Para 2006, a previsão de expansão da economia se manteve em 3,50% pela 21.ª semana consecutiva. A estimativa de superávit da balança comercial para 2005 permaneceu em US$ 40,50 bilhões e a previsão para 2006 subiu de US$ 34,15 bilhões para US$ 34,25 bilhões.