O governo precisa aprovar o pacote fiscal no Congresso, onde o PMDB possui as maiores bancadas, tanto na Câmara quanto no Senado. Farejando a excelente oportunidade para transparecer a supina virtude da habilidade que seus dirigentes desenvolveram nos últimos anos – o mercado de votos – o arruinado partido-ônibus foi empenhar ao presidente Lula submissão absoluta aos desígnios sinalizados pelo Palácio do Planalto.

Em troca, e esse sempre tem sido o preço mais amargo, o partido exige o célere preenchimento de sua cota de nomeações no setor elétrico, a começar pelo apadrinhado do senador José Sarney (AP), o também senador Edison Lobão (MA) para o Ministério de Minas e Energia.

No ápice do estrabismo com que enfocam a visão peculiar do Estado amesquinhado por inteiro pelos interesses personalistas, os dirigentes do PMDB tiveram o péssimo gosto de insinuar que, mesmo com a nomeação do novo ministro, nem ele ou o partido aceitarão a pecha de responsáveis pelo eventual apagão elétrico. Ou seja, a sociedade que se dane conquanto o partido faça chegar seus indicados aos postos mais altos do poleiro administrativo.

Sequer é imprescindível aos dirigentes do PMDB explicar à sociedade qual o tipo de afinidade existente entre o partido e o senador Edison Lobão e, em caso afirmativo, quais as razões superiores que mantiveram a relação acobertada por tantas décadas.

Seria também recomendável tranqüilizar o País quanto à descomunal versatilidade do senador no complexo campo das ciências da eletricidade. Muito mais avançada que acender ou apagar a luz depois de ler algumas páginas do último romance de Sarney.