Após romper negociações com o Sindimetal, entidade que representa as empresas metalúrgicas da capital e região metropolitana, e deflagrar greves "canguru" em fábricas de São José dos Pinhais e CIC, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) divulgou nesta terça-feira (06), um balanço da Campanha Salarial 2006. Até o momento, foram fechados acordos individuais em 40 indústrias do setor. Segundo o SMC, cerca de 17 mil trabalhadores já foram beneficiados. Grandes empresas como Bosch e New
Holland, por exemplo, já entraram em consenso com os representantes dos
trabalhadores e fecharam o acordo coletivo, mesmo sem uma definição do patronal.

Hoje, funcionários das empresas Maclinea e Omeco, situadas na região da CIC, decidiram continuar em greve até que haja uma negociação. Em São José dos Pinhais, metalúrgicos da Latal, Trivisan, Metaltypo e Franzoi, mesmo sem definição de acordo, decidiram retomar as atividades normais e aguardar o desfecho das negociações trabalhando. Nas empresas onde o Sindicato realizou negociações individuais, os resultados foram melhores. "Alguns acordos chegam a 10% de aumento salarial", comemora Sérgio Butka, presidente do SMC.

Na Precon e Plastipoli, por exemplo, os trabalhadores conquistaram 10% de aumento salarial já em dezembro. Na Gans, os funcionários vão receber 5,5% de aumento 10,3% no piso. 

A definição de uma convenção coletiva poderá vir na próxima terça-feira, dia 12, quando o Sindicato realiza assembléia com a categoria em sua sede central para analisar e colocar em votação a proposta de conciliação feita pelo Ministério Público. Diante do impasse entre SMC e Sindimetal, o MP reuniu as partes e propôs que os empresários concedessem 5% de aumento salarial em fevereiro de 2007, 14% de abono parcelado em três vezes e elevação de 7% no piso da categoria. Se esses índices forem aprovados, a convenção coletiva de trabalho dos metalúrgicos poderá ser assinada, caso o patronal também aceite a proposta.           

Denúncia à OIT

O Sindicato dos Metalúrgicos vai denunciar o sócio-proprietário da Metalus Indústria Mecânica, Júlio César Canestraro, à Organização Internacional do Trabalho (OIT), por "prática anti-sindical". O empresário tentou intimar seus funcionários durante assembléia, fotografando-os. "Era uma assembléia de trabalhadores, e não de patrões. Ele apareceu ali para intimida, pressionar os metalúrgicos e tentar tumultuar", afirmou o presidente do SMC, Sérgio Butka.