O estabelecimento de metas de crescimento não foi uma invenção de Juscelino Kubitschek, mas seu governo foi dos que mais as perseguiu. Inclusive a ousada “50 anos em 5”, que pretendia fazer o Brasil crescer meio século em apenas meia década. O jornalista e escritor paranaense, já falecido, Samuel Guimarães da Costa, costumava dizer que o mérito das metas não é o fato de que quem as estabelece percorre o caminho para atingi-las, mas ter presente um objetivo que, mesmo visto de longe e para muitos inatingível, representa mais do que um fundo de túnel sem nenhuma luz. É uma luz, não raro impossível de alcançar. Mas um ponto para o qual dirigir o leme.

Se temos metas, sabemos para onde ir e onde gostaríamos de chegar. Se não as temos, vivemos ao sabor do vento, como birutas, e este tanto pode parar de soprar, como pode soprar para o lado contrário, o da recessão econômica.

O presidente Lula, em recente pronunciamento pelo rádio, defendeu a fixação de metas de crescimento econômico. Fez reparos à política do Banco Central, que fixa os juros básicos da economia brasileira levando em consideração só as perspectivas da inflação. Se estas são de inflação crescente, param de cair as taxas de juros e até podem subir. Se são de estabilidade, os juros podem ficar no mesmo lugar fixado pela mais recente reunião do Conselho de Política Econômica – Copom. E se há inflação crescente ou perspectivas de que esse mal aconteça, fala-se em aumentar os juros. Aumentar para quê? Para conter a demanda, fazendo com que se compre menos para que não haja um desequilíbrio entre a procura e a oferta de bens e serviços.

Há especialistas que entendem que a nossa inflação não é de demanda e, por isso, o uso da política de juros como leme só castiga o comércio, a indústria e os consumidores. A nossa inflação seria de falta de consumo por falta de poder aquisitivo do povo. Exatamente o contrário da tese que sustenta o uso das taxas de juros altas para conter a inflação…

Lula, pelo apoio que tem dado ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central, sob o comando do combatido Meirelles, certamente apóia a política atual, mas na sua fala pelo rádio acaba de acrescentar um outro parâmetro interessante. Que à política de uso dos juros para controle da inflação se adicione também metas de crescimento. Assim, os juros seriam fixados e sua política praticada também de acordo com as metas de crescimento do PIB desejadas.

Se isso funciona, é ver para crer. Mas o fato é que é bastante interessante adicionar crescimento do PIB à preocupação com a inflação, quando se discutem juros. A inflação de demanda é uma dúvida; os efeitos dos juros altos sobre o presumível aumento da demanda que se estaria desequilibrando com a oferta, uma hipótese. Entretanto, a necessidade de crescimento econômico é um fato absolutamente indiscutível.

Certamente, juros mais baixos podem aumentar a produção e o consumo. Se também levam ao aumento da inflação é que é a dúvida e efeito a ser evitado.

Para tanto, Lula aplaude a idéia de “pacto social” lançada pela CUT, um acordo entre empregadores e trabalhadores para não subirem os preços, nem haver uma demanda crescente por melhores salários. Algo difícil, senão impossível de acontecer, tanto mais quando a vontade do governo de reduzir a carga tributária, ou seja, entrar com a sua parte, é mínima. Comecemos, pelo menos, com a introdução de metas de crescimento do PIB, fórmula que tem o apoio de Lula.