Rio – O Ministério Público Federal entregou hoje (28) ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) um documento contendo recomendações contra supostas irregularidades no órgão. Entre as orientações do procurador da República Edson Abdon está a exoneração de seis funcionários contratados sem concurso público, alguns deles ligados ao ex-presidente da entidade, Gilberto Linhares, que está preso.

De acordo com o procurador, é preciso evitar que Linhares "continue a ter influência" sobre o órgão. O ex-presidente do Cofen foi condenado em abril a 19 anos e meio de prisão por peculato, lavagem de dinheiro, interceptação telefônica ilegal e formação de quadrilha, quando estava à frente do conselho.

Nos últimos anos, Linhares e outras pessoas teriam provocado fraudes em licitações e desvios de recursos públicos da ordem de R$ 50 milhões. Algumas dessas ilegalidades ainda continuariam a ocorrer na entidade, apesar da saída e da prisão do ex-presidente.

Abdon explicou que há contratos irregulares que precisam ser rescindidos, como os de assessoria jurídica, o de manutenção do site do Cofen e o que prevê a publicação de uma série de livros em parceria com a editora Mondrian.

"Os direitos autorais desses livros não pertencem ao conselho. Eles pertencem à empresa, ou seja, a empresa tem vantagens econômicas totais em detrimento ao próprio Cofen. Além disso, há um contrato com a ex-esposa do senhor Gilberto Linhares, que é um contrato de informática do portal Cofen", disse Abdon.

O documento do Ministério Público também recomenda a realização de uma auditoria financeira no Cofen. O conselho terá que seguir as orientações do procurador da República no prazo de 15 dias.