O governo deverá definir ainda neste ano o padrão de rádio digital que será implantado no País. A previsão é do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que fez nesta quarta-feira (18) uma defesa veemente do sistema americano. Se for confirmada a escolha do padrão dos Estados Unidos, o governo vai agradar mais uma vez os radiodifusores, como fez no caso da TV digital ao adotar o padrão japonês.

O presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, disse ontem que o padrão americano é o único que permite a transmissão simultânea de ondas de rádio digitais e analógicas. "Da mesma forma que decidimos pela técnica e eficiência do modelo japonês para a TV digital, agora nós começamos a entender que a melhor solução para o sistema de rádio é o padrão americano", afirmou o ministro, ao fazer palestra, no auditório do Ministério, sobre TV digital.

"Agora serei americano, não serei japonês", brincou Costa, que durante todo o processo de escolha do padrão de TV digital defendeu o sistema do Japão.

Depois das eleições, segundo o ministro, serão criados pelo governo o Comitê de Desenvolvimento do Rádio Digital, formado por nove ministros, e o Comitê Consultivo, com representantes dos radiodifusores e de entidades da sociedade civil. "Eu estou absolutamente convencido de que o sistema americano para o rádio digital é o melhor", insistiu Costa. Ele fez a ressalva de que a escolha do padrão é competência exclusiva do presidente da República.

Hélio Costa previu que, no próximo ano, haverá transmissão de rádio digital no País inteiro. Ontem, o presidente da Abert disse que, se o padrão for escolhido ainda neste ano, as emissoras de rádio das capitais brasileiras terão condições de começar a operar o rádio digital entre março e maio do próximo ano.

Na exposição, o ministro disse ainda que pretende encaminhar ao presidente da República, na próxima semana, a minuta de uma portaria com a criação de seis canais públicos de TV digital, do número 60 ao 65. Esses canais serão ocupados pela Radiobrás, TV Senado, TV Câmara, Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Canal da Comunidade. Há outros três canais novos que poderão também ter uso público ou ser licitados para exploração comercial.