Ribeirão Preto – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, criticou hoje (15), durante a abertura da Agrishow Ribeirão Preto (SP), a suposta preferência do governo federal pela agricultura familiar em detrimento da empresarial. Ao ser indagado sobre quais as ações do governo para os pequenos agricultores durante a atual crise, Rodrigues afirmou que "hoje a agricultura familiar é a mais privilegiada pelo nosso governo, tem um ministério que cuida só disso e os efeitos da crise agrícola foram muito mais fortemente direcionados em termos de ação do governo para a agricultura familiar do que para a agricultura empresarial", afirmou.

Na opinião do ministro, o esforço que se faz hoje é concentradamente para atender a agricultura familiar, "não apenas na área privada como a Agrishow está fazendo, mas posições de governo, sobretudo no MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário", disse. Na última sexta-feira, os agricultores familiares foram beneficiados com o anúncio da liberação de metade dos R$ 204 milhões para a comercialização por meio de Aquisições do Governo Federal (AGFs).

Durante a cerimônia de abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), Rodrigues relembrou todos os fatores que causaram a crise agrícola, como câmbio, juros altos, falta de recursos e de logística, além das invasões de terra. "Mas a crise é conosco e estamos elaborando uma política de longo prazo com medidas estruturantes para superá-la", afirmou.

O ministro prometeu novamente que anunciará o plano de safra 2006 até o próximo dia 25, com "mais dinheiro, mais barato, menos tributos e com medidas para o seguro rural e o biodiesel da soja". No entanto, o Rodrigues não detalhou as medidas, disse que elas estão sendo discutidas 24 horas por dia pelos ministérios da Agricultura, Casa Civil e Fazenda e que poderá anunciá-las antes do prazo previsto. Por fim, o ministro afirmou que irá apenas reiterar ao presidente Lula os problemas do setor produtivo durante o encontro que ambos terão com governadores em Brasília, amanhã. "Já conversei com o presidente na última terça-feira, expus a situação e ele próprio solicitou essa ação conjunta entre os ministérios", concluiu.

Críticas

A cerimônia de abertura da Agrishow Ribeirão Preto foi marcada por críticas à falta de solução do governo para a crise agrícola e por sugestões de mudanças na estrutura do Executivo. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton Mello, pediu a revogação da medida provisória que isentou de imposto de renda os investimentos estrangeiros em dólar feitos no País.

Segundo Mello, esses investimentos foram puramente especulativos e ajudaram a desvalorizar a cotação do dólar. O presidente da Abimaq pediu ainda que investimentos de curto prazo feitos em moeda estrangeira voltem a ser taxados com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Sérgio Magalhães, presidente do Sistema Agrishow, criticou a política cambial e disse que "a taxa de câmbio no Brasil é eleitoreira e deve permanecer desta forma até as eleições em outubro", numa referência indireta à estratégia do governo de segurar a inflação por meio de juros altos, o que sobrevaloriza o real. Já o presidente da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, lembrou que a dotação orçamentária do Ministério da Agricultura representa 0,3% do total do governo, que ela já foi de 3% há 15 anos.

Ele sugeriu ainda que haja uma fusão entre o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, o setor de florestas renováveis do Meio Ambiente e da Secretaria Especial da Pesca. A Agrishow segue até sábado (20), em Ribeirão Preto (SP), com cerca de 700 expositores. A feira deve receber 150 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 700 milhões, mesmo volume do ano passado.