Em audiência pública na manhã desta quarta-feira para discutir o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica 2006/2015, o ministro interino de Minas e Energia, Nelson José Hubner Moreira, disse acreditar que será possível chegar a um equilíbrio na negociação com o governo da Bolívia sobre o preço do gás natural vendido ao Brasil. O ministro afirmou também que a Petrobras vai acelerar a entrada em operação de campos de gás no Espírito Santo. Na mesma reunião, promovida pela Comissão de Minas e Energia, o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães, previu que em 2015 o consumidor vai pagar 20% mais pela energia.

Em relação ao gás da Bolívia, Hubner Moreira afirmou que é mais fácil resolver o suprimento de gás para o mercado nacional por meio da descoberta de novas fontes do combustível e da colocação em operação daquelas já conhecidas, do que a Bolívia abrir mão do contrato com o Brasil. "A Bolívia também tem interesse, mais ainda do que o Brasil", avaliou. No que se refere à busca de alternativas no País para o suprimento de gás, o ministro informou que têm sido descobertas fontes não apenas no Espírito Santo, mas também no Nordeste.

Gasoduto Sudeste-Nordeste

A preocupação com as fontes de abastecimento de gás natural para as usinas térmicas do Nordeste foi manifestada pelos deputados Betinho Rosado (PFL-RN) – que propôs a realização da audiência junto com o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), presidente da comissão – e Luiz Bassuma (PT-BA) e pelo diretor-presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio José Dias Sales.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tiomno Tolmasquim, acrescentou que o gasoduto Sudeste-Nordeste estará pronto até 2011 e poderá levar gás de Santos e do Espírito Santo para a região. Outra alternativa apontada por Tolmasquim é o uso de gás natural liquefeito, já que a Petrobras estuda a instalação de uma estação de regaseificação no Nordeste. Ele informou, ainda, que existe o projeto de um investidor nacional de construir uma usina térmica a carvão no Ceará.

O presidente da EPE destacou que, mesmo com a energia hídrica como base da matriz energética brasileira, a termelétrica é necessária. Ele também assinalou que, por causa do período da seca, é preciso garantir a complementação na geração de energia.

Aumento de custos

O presidente da Abradee, Luiz Carlos Guimarães, disse que até 2015 haverá um aumento do custo de transmissão de energia em 35% e de geração em 33%, devido a fatores como a ampliação das linhas de transmissão e a substituição de contratos velhos por novos. Daí a estimativa de um aumento de 20% na tarifa, considerando-se a manutenção dos tributos atuais.

De acordo com Guimarães, o que pode ser feito para minimizar esse aumento é justamente a redução dos tributos. Ele explica que mais de 50% da conta de energia vão para o governo e os tributos vêm aumentando progressivamente. "Isso vem afetando a tarifa", lamentou.

O ministro interino Hubner Moreira acredita que vai haver um crescimento natural da tarifa, mas não na proporção prevista pela Abradee, pois "ainda há muita gordura para ser queimada, principalmente na geração". Para ele, isso se dará com o aumento da oferta e conseqüentemente da competição, a partir da entrada em operação de novas usinas. Ele ressalta que isso aconteceu em relação à transmissão, área em que há uma grande competição.