O ministro da Saúde, Humberto Costa, quer acelerar a discussão com as universidades sobre a reformulação dos currículos das áreas de saúde, entre eles o de Medicina e o de Enfermagem. Na sua opinião, o foco de ensino praticado em boa parte dos estabelecimentos que formam os médicos brasileiros vai de encontro ao modelo de saúde pública do País. “Há uma nítida supervalorização do modelo hospitalar, baseado nas especialidades, em detrimento do médico generalista, que deve integrar as equipes do Programa de Saúde da Família e atuar diretamente na atenção básica da população”, criticou.

O ministro expôs sua posição durante palestra realizada em Washington para a diretoria da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Ele enfatizou a importäncia que o PSF tem para o governo Lula, indicando que pretende duplicar o número de equipes, das atuais 17 mil para 34 mil, nos próximos quatro anos. “As equipes podem atender até a 80% da demanda de saúde, interligadas a centros de referência de média complexidade, e desafogar o atendimento nos grandes hospitais”, esclareceu.

Humberto Costa enfatizou que o Ministério da Saúde deve atuar como indutor de políticas e que a implantação de equipes do PSF por municípios e estados pode se tornar uma das condições para que os governos estaduais obtenham alguns dos financiamentos federais na área de saúde. “Temos que induzir a ampliação da atenção básica. Induzir, inclusive, que os estados passem a contribuir mais para a manutenção das equipes, hoje quase que exclusivamente a cargo do ministério e dos municípios”, informou.