O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu que bancos privados deixem de conceder crédito a empregadores com nome no cadastro de empregadores que utilizam trabalho escravo, mais conhecido como "lista suja". A restrição já vale para instituições financeiras públicas.

"Nós estamos negociando e queremos que a Febraban [Federação Brasileira dos Bancos], que é a federação dos bancos privados, também assuma a condição de que nenhum banco brasileiro possa fazer qualquer financiamento a qualquer empresário que tenha essa prática na economia brasileira", disse Marinho, em entrevista coletiva concedida às emissoras de rádio da Radiobrás (Rádio Nacional AM de Brasília, Nacional AM do Rio de Janeiro e Rádio Nacional da Amazônia), com retransmissão em rede para todo o país.

Ao comentar a libertação, nesta terça-feira, de 65 trabalhadores rurais mantidos em condições análogas a de escravos em duas fazendas do município de Pacajá, no sudoeste do Pará, por fiscais da Delegacia Regional do Trabalho do estado, o ministro disse que notícias de trabalho forçado "causam indignação a qualquer cidadão de boa-fé".

"Precisamos chamar a atenção do empresariado brasileiro, particularmente do campo, para que adquira um pouco de vergonha na cara. Até parece que não se tocaram que nós acabamos com a escravidão", condenou Marinho, ao esclarecer que fez referência a uma parcela dos empresários brasileiros.

Para o ministro, é positivo que o Brasil seja reconhecido como liderança no combate ao trabalho escravo. "Mas é ao mesmo tempo triste. Não queremos ser referência no combate ao trabalho escravo, queremos ser referência de não existir esse tipo de prática na economia brasileira".

Ele afirmou que o país precisa de empresários comprometidos com o desenvolvimento e, "sobretudo, com uma boa condição humana". "O Brasil é um país rico e tem condições de distribuir minimamente a sua renda e de proporcionar que nossos brasileiros e brasileiras tenham uma condição digna de vida", acrescentou.