O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse, nesta sexta-feira que, diferentemente da educação básica, onde o problema é de qualidade, na educação superior o problema é de acesso. Hoje, no Brasil, apenas 9% dos jovens de 18 a 24 anos estão na faculdade. "Os jovens não estão conseguindo chegar à universidade e é nossa meta viabilizar esse acesso", afirmou, em entrevista à rede nacional de rádio coordenada pela Radiobrás.

Para Haddad, essa deficiência no acesso tem duas razões. A primeira é a falta de investimento federal na expansão da rede pública de educação superior. "Nós passamos mais de uma década sem investimentos na expansão do ensino superior público federal, o número de instituições se manteve praticamente o mesmo e a expansão de vagas deveu-se única e exclusivamente ao esforço individual de cada reitor", explicou.

A segunda razão é o fato de o país ter tido "uma expansão desenfreada do ensino privado, justamente por falta de investimentos públicos nas instituições federais de ensino".

Haddad disse que, entre as iniciativas do atual governo para reverter essa situação, foi estabelecido "um plano ousado de expansão" em 36 novas extensões no interior do país, para evitar que o jovem tenha que se deslocar para as regiões metropolitanas para ter acesso à educação superior. "Retomamos os investimentos na expansão e na interiorização do ensino público no nosso país", explica.

O ministro afirmou que, para enfrentar a expansão do ensino privado, que não veio acompanhada de um programa de bolsas de estudo nem de um programa de apoio ao jovem de baixa renda, "foi criado o programa Universidade para Todos, o conhecido ProUni". Segundo ele, só na primeira edição, em 2004, o programa ofereceu 112 mil bolsas de estudo para jovens egressos da escola pública e de baixa renda, sem condições de arcar com a mensalidade.

"Para que se tenha uma idéia desse programa, o primeiro curso superior no Brasil data de 1827 e, e de lá para cá, nós conseguimos criar um sistema federal de educação superior que oferta anualmente cerca de 125 mil vagas", contou o ministro. Segundo ele, só o ProUni ofereceu no seu primeiro ano, 102 mil vagas.

"Isso significa dizer que praticamente duplicamos o acesso e com foco na população de baixa renda, porque a universidade pública está aberta para todos, para todas as classes sociais, mas o ProUni não, ele está direcionado para a população que não tem renda para arcar com uma mensalidade".