O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, acredita que houve "falhas" na operação da Polícia Militar de Goiás para retirar as famílias que ocupavam o Condomínio Sonho Real, no Parque Oeste Industrial, na periferia da capital goiana. De acordo com o ministro, havia contradições nas informações dos comandantes da operação e também não houve pedido de perícia no local das mortes.

"Lamentavelmente, os comandantes militares não souberam dizer para onde as pessoas foram levadas e quantos feridos eram. Eles deram a notícia de que recolheram dois feridos, que vieram a óbito após chegarem ao hospital. Mas sabiam que foram os invasores que causaram aquelas mortes. Ora, se eles não sabiam nem onde foi, como podiam saber isso? Isso me preocupou", indagou o ministro após reunião fechada com o vice-governador do estado, Alcides Rodrigues, e o secretário estadual de Segurança Pública, Jônathas Silva.

O ministro passou toda a quarta-feira percorrendo o Instituto Médico Legal e a área desocupada em Goiânia. Nilmário afirmou que não houve requisição de perícia no local até a tarde desta quarta-feira, de modo a preservar o local das mortes e passar o controle das investigações para a Polícia Civil. Além disso, o ministro encontrou dificuldades para obter informações sobre o número de feridos e sobre o local das mortes. "Eu diria que houve falha", disse.

Em reunião fechada, Nilmário Miranda levou as dúvidas ao vice-governador e ao secretário estadual de Segurança. Segundo informações da Secretaria Especial de Direitos Humanos, o estado de Goiás tem primado pela correção no tratamento ao abuso de poder e foi o estado que mais afastou policiais por tortura. Contudo, Nilmário pediu uma investigação rigorosa do governo estadual, que comprove quem são os responsáveis pelas mortes.

O secretário de Segurança Pública, Jônathas Silva, defendeu a operação durante o encontro com o ministro. "Procuramos mostrar que a operação foi bem sucedida, que tínhamos cinco mil pessoas, mas se houve excessos, e, se foi cometido por um policial, a atitude do governo é de apurar com rigor aqueles policiais que deram causa às duas mortes", disse.

Jônathas Silva acusou os sem-teto de estarem armados e terem enfrentado a polícia. "O lado de lá estava muito bem armado. Os dois corpos estavam sendo necropsiados no IML, para que possamos tomar providências. As informações que temos é de que os policiais agiram exclusivamente no cumprimento do seu dever." O governo do estado enviará um relatório ao ministro Nilmário Miranda à medida que o inquérito seja instaurado e os fatos sejam investigados.

O tenente-coronel Carlos Antônio Elias, que estava presente na operação, afirmou que aproximadamente dois mil policiais participaram da ação e que não foi utilizada munição letal. "Nós encontramos uma resistência considerável por parte deles, que traziam paus, pedras e armas de fogo", disse.