O Brasil é a 14.ª potência econômica mundial, embora tenha ocupado o 8.º lugar ao longo de boa parte da segunda metade do século XX. O destaque foi possível pelo excelente desempenho do setor industrial, hoje represado pela valorização do real frente ao dólar norte-americano e pela carga fiscal mais elevada dentre todos os países.

O quadro, analisado de forma superficial, facilita a percepção que ao contrário de economias promissoras, hoje inscritas entre as economias emergentes, ou já tendo superado essa etapa intermediária, o Brasil trilhou caminho inverso e acabou cedendo precioso terreno na competitividade exigida pelo mercado global.

Malgrado o expressivo volume de nossas exportações, o estágio ainda é o da economia exportadora primária, a julgar pelo exemplo da soja em grão, cujo volume negociado com o mercado externo supera a exportação do farelo. A conseqüência é a perda de divisas em função da inexistência de valor agregado.

A dois anos e meio do final da primeira década do novo século, a economia do País sente os efeitos da paralisação do ritmo de crescimento do setor industrial, além de testemunhar a corrida de várias empresas para o estrangeiro, onde vão gerar os empregos inexistentes para alguns milhares de brasileiros.

Felizmente houve reação pontual do governo, concretizada na iniciativa de estimular os setores de microeletrônica, software e bens de capital, além de ter anunciado, na semana passada, a abertura de linhas especiais de crédito para as empresas que produzem nos nichos suscetíveis a perdas no mercado externo, em função da desvalorização da moeda dos Estados Unidos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a alocação de R$ 3 bilhões para a prestação de socorro financeiro às indústrias de calçados, artefatos de couro, confecções e móveis, entre outras, que não conseguiram manter seu espaço no mercado comprador e, pior, sofrem também com a pressão dos baixos preços dos manufaturados no longínquo Oriente.

Mais que isso, o governo deveria aproveitar a hora crítica para definir não só a política industrial, mas um modelo capaz de gerar inovação tecnológica, emprego e renda.