Cerca de 400 pessoas participaram nesta quinta-feira, no Museu Oscar Niemeyer, da abertura da exposição de um dos maiores xilogravadores do Brasil, Gilvan Samico. Jornalistas e convidados, que participaram da abertura, ficaram impressionados com a simetria e o detalhismo das gravuras e desenhos do artista.

Antes de chegar a Curitiba, a mostra ?Samico: do desenho à gravura? foi apresentada em São Paulo, o que lhe rendeu o Prêmio Especial da Associação Paulista de Críticos de Arte, no ano passado.

Nesta segunda montagem o artista ficou ?bastante satisfeito? com o resultado obtido no museu curitibano. ?Achei ótima. Em relação à primeira exposição, o curador Ronaldo Correia de Brito fez um remanejamento da sala, que resultou em uma sequência de apresentação dos trabalhos bastante interessante. Aqui (Museu Oscar Niemeyer) há um arejamento maior porque a sala é mais aberta, mais larga, o que possibilitou inclusive a exposição de maior número de obras.?, disse.

A exposição é composta por 203 obras, na qual são exibidas desde as xilogravuras, no formato e estilo que consagraram o artista, como A Bela e a Fera (1996), até desenhos inéditos.

A mesma satisfação foi demonstrada pela presidente do Museu, Maristela Requião, que falou sobre as possibilidades que a instituição têm aberto aos estudantes de artes. ?Com programação de alta qualidade, a qual temos nos empenhado em manter, os professores de arte têm a possibilidade de fazer uma aula de estudo dentro do próprio Museu.

Exposições como a de Samico, de Jèsus Soto, Farnese e outros artistas de reconhecimento que já passaram por aqui, antes só podiam ser vistos em livros ou fora de Curitiba.?

O grande diferencial desta exposição são os 45 desenhos produzidos entre 1975 e 1959, a maior parte deles do período em que Samico foi aluno de Lívio Abramo, em São Paulo. Outros são da fase em que o artista era aluno de Goeldi, no Rio de Janeiro, e alguns da época que ele freqüentava o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife, criado por Abelardo da Hora.

Além dos desenhos que foram mantidos guardados no fundo de uma gaveta, e que nunca haviam sido mostrados, também estão na mostra os desenhos estudos que ilustram o processo criativo de Samico. ?Apenas um pequeno número de xilogravuras ficou fora da exposição, que não pretende ser apenas cronológica e retrospectiva?, afirmou o curador.

Enriquecendo a exposição, Brito incluiu ainda as gravuras realizadas no período de 1997 a 2004, também praticamente inéditas em outras mostras. Duas delas ? A Caça e A Espada e o Dragão-, ilustradas por suas respectivas matrizes e um grande número de desenhos estudos, ocupam uma sala inteira da mostra no Museu Oscar Niemeyer.

Muito do que produziu Gilvan Samico poderá ser conhecido no conjunto de obras expostas. Na mostra estão sendo exibidos 67 desenhos estudos, 45 desenhos com caráter de desenho, 43 gravuras de tiragem esgotada (1959-1987), 23 gravuras raras (1957-1959), 17 gravuras recentes (1988-2004), oito linóleos, xilogravuras sem matrizes e duas matrizes. Desde a realização da mostra Samico-40 anos de gravura, realizada em 1997, no Rio de Janeiro, não se via uma exposição com tantas obras do artista.

Serviço:
Onde: Museu Oscar Niemeyer
Endereço: Rua Marechal Hermes, 999
Centro Cívico ? CEP: 80530-230
Telefone: (41) 3350-4400
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h
Preços: R$ 4,00 adultos e R$ 2,00 estudantes identificados
(Crianças de até 12 anos, maiores de 60 e grupos de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental, pré-agendados não pagam)
Agendamento prévio para escolas pelo e-mail: agendamento@mon.org.br ou pelo telefone (41) 350-4418, das 10h às 18h