Há mais de 20 anos o entomologista Nei Lúcio Domiciano pesquisa os efeitos do uso de agrotóxicos no controle de pragas. Defensor do uso racional de produtos químicos, o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) alerta para o investimento no Contole Integrado de Pragas (CIP) como forma de minimizar custos de produção.

?O controle integrado busca alternativas que combinadas em um programa contribuem para a redução significativa ou mesmo para evitar a utilização de produtos químicos quando possível e não simplesmente a eliminação por completo do uso do controle químico??, explica.

A base do CIP é o monitoramento constante da lavoura, conforme afirma Domiciano. Para ele, a pulverização com pesticidas não deve ser feita pelo calendário, mas sim com base na abundância da praga por estádios de desenvolvimento e potencial de danos econômicos e ainda levar em conta a quantidade de inimigos naturais presentes na plantação.

Domiciano explica que o monitoramento deve ser feito por amostragens padronizadas e seqüenciais na área cultivada, desde a semeadura até a população de pragas e agentes benéficos. O intervalo das amostragens varia entre cinco dias e um dia, conforme o crescimento populacional das pragas. A comprovação do ataque, lembra o pesquisador, é garantida pela avaliação de plantas suspeitas, ?observando principalmente a face inferior das folhas, terminações de ramos, flores, frutos, hastes e, quando necessário, raízes??, declara.

Depois de identificado o dano, que pode ser direto ou indireto, o produtor irá determinar a melhor forma de combate à praga. No caso de danos diretos quando a praga ataca diretamente o alimento a ser consumido? o controle deve ser preventivo. Já em danos indiretos quando a praga não transmite doenças? o controle é curativo. ??O momento de ação deve basear-se no número, tamanho e permanência dos indivíduos no hospedeiro??, informa o pesquisador. Este procedimento evita danos econômicos em caso de condições climáticas favoráveis ao rápido desenvolvimento da praga.

O entomologista sugere a contratação de uma equipe especializada, responsável pela vigilância da lavoura. O objetivo é determinar se a população de pragas está causando infestação e informar ao produtor onde, como e quando o veneno deve ser aplicado.

O custeio deste trabalho, segundo Domiciano, representa um gasto a mais para o produtor, mas reflete na diminuição da compra de agrotóxicos. O pesquisador acredita que a união dos produtores em pequenas associações fomenta a manutenção de uma equipe de monitoramento. ?Nos países de primeiro mundo esta prática é comum??, assinala.