São Paulo – Mesmo com o reajuste de 6% do gás natural veicular (GNV) nos postos de São Paulo, autorizado esta semana pela Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE), o combustível continua imbatível na comparação com a gasolina e o álcool hidratado. Levantamento feito pela consultoria MDJ, membro da comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) responsável pela definição de regras para uso de equipamentos e instalação de gás combustível no Brasil, mostra que um carro popular abastecido com GNV – que percorra 100 quilômetros em trecho urbano – terá praticamente metade da despesa que teria se fosse movido a gasolina ou a álcool. Seriam R$ 12,99 em GNV, contra R$ 25,99 em gasolina e R$ 25,70 em álcool hidratado, de acordo com o cálculo.

É o segundo levantamento feito pela MDJ, a pedido da Agência Estado. E a novidade entre a avaliação atual e a anterior é a queda da competitividade do álcool, combustível que perdeu muito da vantagem em relação à gasolina. O consumidor sentiu no bolso. A situação levou o governo a buscar acordo com os usineiros para frear a alta. O preço estabilizou, mas não recuperou competitividade.

Desta vez, a MDJ comparou também o custo do combustível em carros médios, equipados com motores 1.8. O critério utilizado para dar eqüidade de condições foi semelhante ao adotado para os carros populares. A consultoria tomou como base a pior autonomia (km/litro ou km/m³) em trecho urbano informada pelas montadoras e o maior preço dos combustíveis. Novamente, o GNV apareceu com grande vantagem.

Pelos números, o gasto para um percurso de 100 quilômetros chegaria a R$ 16,24 em carros movidos com gás natural, R$ 35,98 com álcool e R$ 43,31 com gasolina. Em longo prazo, o consumidor pode averiguar a diferença de custos entre veículos movidos a gasolina, a álcool ou a gás. Como exemplo, entre os carros populares (1.0), um consumidor com veículo movido a GNV terá uma economia de até R$ 1,3 mil em relação a gasolina depois de rodar 10 mil quilômetros. A vantagem em relação ao álcool é quase igual, R$ 1.271 na mesma comparação.

A elevação do preço do álcool, neste caso, mostra como o consumidor que apostou nos carros flex teve reduzida a vantagem. A diferença de gastos entre carros populares movidos a gasolina e a álcool depois de rodados 10 mil quilômetros caiu de R$ 785 no levantamento anterior para apenas R$ 29,00, segundo a MDJ.

Alberto Fossa, responsável pelo estudo, diz que os números podem variar, conforme a regulagem do carro ou o preço do combustível, mas o resultado é claro: o gás ainda é imbatível em custo e o álcool tornou-se um combustível de preço quase tão elevado quanto a gasolina.