São Paulo ? O Movimento das Semanas Sociais Brasileiras, que deu origem ao Grito dos Excluídos ao longo de sua segunda edição (1993 e 1994), ainda marca presença no calendário e na construção da vida pública nacional. As semanas já abrigaram um debate com candidatos à Presidência da República, transmitido pela TV ao país, deflagraram dois plebiscitos sobre temas nacionais, com grande participação popular, e deram origem a outras organizações, como a Rede Jubileu Sul, representante brasileira do movimento latino-americano Jubileu, que luta contra a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a Auditoria Cidadã da dívida externa do país.

"O momento nacional da 2ª Semana Social Brasileira foi importante porque incluiu o debate com os candidatos à eleição para presidente da República, transmitido para o país, de dentro do evento, pela TV Bandeirantes. Também foi nessa edição que nasceu a proposta e a organização do Grito", lembra Ari Alberti, da Coordenação Nacional do Grito dos Excluídos.

"Já a 3ª Semana foi importante porque dela nasceu a Campanha Jubileu, que levou à realização de dois grandes plebiscitos: o de 2000, sobre o pagamento da dívida externa do país, que teve 6 milhões e 30 mil de votantes, realizado de 2 a 7 de setembro daquele ano; e o plebiscito de 2002, sobre a criação e a participação do Brasil na Alca, em que mais de 10 milhões votaram."

Como resultado do primeiro plebiscito, narra Alberti, foi feito um abaixo-assinado, entregue ao Congresso nacional em 2001, solicitando uma auditoria da dívida externa. Esse movimento deu origem ao grupo Auditoria Cidadã da Dívida, que conduz uma revisão independente dos contratos da dívida externa do país. Todos os pesquisadores do Auditoria Cidadão pertencem ao Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) e seus trabalhos, estudos e documentos podem ser encontrados no site do movimento (www.divida-auditoriacidada.org.br).