Brasília – Cerca de 700 representantes de movimentos sociais se concentraram ontem (26) em frente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reivindicar tarifas menores para as populações de baixa renda.

Eles pediram o cumprimento ?imediato? da decisão da Justiça Federal que determina o desconto da tarifa social para quem consome até 200 quilowatts-hora por mês.

Os manifestantes também pediram que as famílias de baixa renda tenham fornecimento gratuito de até 100 quilowatts por mês, além de defenderem o fim do subsídio dado aos grandes consumidores comerciais e industriais de energia elétrica.

O diretor da Aneel Edvaldo Santana recebeu comissão do movimento. E informou que, embora tenha conhecimento da decisão judicial, não foi comunicado oficialmente.

?Se a agência receber a ordem judicial quanto às tarifas de energia, na parte que nos couber, examinaremos e tomaremos providências?, disse, acrescentando que a Aneel ?cumpre leis, decretos e contratos?.

Segundo o líder da manifestação, Hélio Mecca, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), os pequenos consumidores residenciais, comerciais e industriais estão ?pagando uma conta alta? para subsidiar a grande indústria brasileira e multinacional. ?Eles gastam muita energia e pagam pouco?, avaliou.

Ele diz que, nos últimos dez anos, as tarifas de energia elétrica subiram 400% acima da inflação. ?Por isso, está na hora de a decisão judicial, que vale para todo o país, ser logo cumprida?.

Cerca de 15 movimentos sociais estão fazendo manifestações em diversos pontos do país, pedindo a revisão dos critérios de correção das tarifas. São representações de pequenos agricultores, trabalhadores desempregados, da Pastoral da Juventude Rural e do Movimento das Mulheres Camponesas, além de organizações não-governamentais e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).