O Ministério Público Estadual (MPE) apura a denúncia de que o ex-prefeito de Campinas, no interior de São Paulo, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, teria sido assassinado a mando do empresário Ramiro Ferreira Júnior, diretor do Consórcio Ecocamp,

responsável pela coleta e tratamento do lixo na cidade. A acusação foi feita aos promotores do Grupo de Atuação, Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do município por um alto funcionário da empresa Bauruense, de Bauru, uma das companhias que compõem o consórcio.

Até, agora a morte de Toninho do PT, ocorrida em 10 de setembro de 2001, era atribuída a um crime comum praticado, supostamente, pelo seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho", preso em Presidente Bernardes, no oeste do Estado.

Na nova versão, o ex-prefeito de Campinas foi morto porque, ao assumir, teria impedido a continuidade de um esquema corrupção e arrecadação por meio de preços superfaturados no serviço de limpeza urbana da cidade.

O ex-empregado da Bauruense, cuja identidade não foi revelada, disse ao MPE ter ouvido uma conversa entre um diretor da Ecocamp e Ferreira Júnior, na qual este teria dito que a saída seria "dar baixa no prefeito".

O Ministério Público informou não poder revelar o conteúdo total do depoimento porque foi obtido sob a condição de sigilo, mas que investigará a suspeita. De acordo com o denunciante, o empresário teria mandado matar Toninho do PT porque deixaria de continuar a arrecadar com o esquema, montado na gestão anterior, uma vez que o ex-prefeito, ao assumir a prefeitura, anunciou a revisão dos contratos e, posteriormente, reduziu em 40% os valores pagos ao consórcio.

Foi a segunda denúncia de corrupção envolvendo a Bauruense. A empresa é investigada por Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios por ter cometido irregularidades na prestação de serviços por 13 anos para a empresa Furnas Centrais Elétricas.