O Ministério Público Federal (MPF) denunciou seis pessoas por envolvimento no
furto milionário ao Banco Central de Fortaleza, ocorrido no primeiro final de
semana de agosto. Conforme a denuncia, entregue à Justiça Federal ontem (16), a
quadrilha que roubou R$ 165 milhões do BC tentou fretar um avião no dia dois de
agosto que seria utilizado na fuga. Como na ocasião não havia aeronave
disponível, parte do bando acabou fugindo em um vôo comercial para São Paulo, no
dia seis de agosto. Ainda segundo o documento, o dinheiro roubado foi colocado
em sacos de cereais e embarcado dentro de sacolas e malas.

Além dos
irmãos José Elizomarte e Francisco Dermival Fernandes, donos da revenda "Brilhe
Car", e do empresário José Charles de Morais, dono da JE Transportes, que estão
presos desde o dia 11 de agosto na carceragem da Polícia Federal do Ceará,
constam no relatório do MPF, assinado pelos procuradores Geraldo Assunção
Tavares e Rita de Cássia Vasconcelos Barros, os nomes de Marcos Rogério Morais,
irmão de Charles e que é apontado como líder de uma quadrilha do Morro do Macaco
em São Paulo; Tadeu de Sousa Matos, motorista de um outro irmão de Charles; e de
Antônio Jussivan Alves dos Santos, acusado de fazer parte da quadrilha que
assaltou, em 1999, em Fortaleza, a empresa de segurança privada
Corpvs.

De acordo com a denuncia, três dias antes de o cofre do BC ser
arrombado, José Elizomarte, Jussivan, Paulo Sérgio de Sousa (nome falso do
suposto líder do grupo) e Charles foram ao Aeroporto Internacional Pinto Martins
tentar alugar um avião para oito pessoas. Não conseguiram.

Segundo o
documento do Ministério Público, a PF ouviu três taxistas que transportaram o
grupo na tarde do dia 6 de agosto (sábado) até o aeroporto de Fortaleza. Além
dos táxis, o grupo utilizou uma camioneta Chevrolet Silverado, onde estava a
maior parte do dinheiro furtado.

No interrogatório, os taxistas disseram
que foram chamados até a sede da Brilhe Car, na Avenida Humberto Monte; depois
foram à JE Transportes, localizada algumas quadras depois; e de lá seguiram para
o aeroporto. Marcos Rogério e Jussivan teriam sido reconhecidos. Além deles,
havia outros três homens, uma mulher e duas crianças. Foi na revenda Brilhe Car
que a quadrilha comprou 11 carros depois do furto do BC. Três dos quais estavam
no caminhão-cegonha apreendido na localidade de Curvelo (MG) recheados com R$ 5
milhões.

O juiz da 11ª Vara Federal, Danilo Fontenelle Sampaio, decretou
sigilo absoluto sobre o caso. As informações do relatório do MPF foram
divulgadas pelo jornal cearense "O Povo" na edição de hoje (17). Os advogados
dos irmãos Fernandes e do empresário Charles Morais não foram localizados para
falar sobre a denúncia do MPF.