Rio – O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro entrou na Justiça contra novela "A lua me disse", da TV Globo. A ação civil pública, com pedido de liminar, foi motivada por duas situações observadas na novela: o conteúdo discriminatório aos povos indígenas, pelo tratamento à personagem Índia, da tribo Nambiquara, e cenas de violência e insinuações de sexo que tem uma veiculação inadequada em horário livre.

Segundo uma nota divulgada à imprensa, as investigações que deram origem à ação partiram de e-mails de cidadãos e de um ofício da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

O Ministério Público pede, à Justiça, que a Globo suspenda as cenas que exponham a personagem índia a situações constrangedoras ou degradantes, ou que alimentem o estereótipo contra índios, além da proibição de cenas de violência e insinuações de sexo.

A TV Globo ficaria sujeita a pagar uma multa de R$ 500 mil por cena. O Ministério Público também pede que o canal divulgue uma mensagem admitindo que tratava de modo depreciativo a personagem índia, desvalorizando a cultura indígena.

Segundo o Ministério Público, a índia Nambiquara, que faz papel de uma empregada doméstica, está na novela condenada ao estrato mais subalterno da sociedade, quase como se fosse um animal exótico, divertido e digno de riso.