O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná Roberto Baggio disse hoje, em depoimento na CPI da Terra, na Assembléia Legislativa, que somente a reforma agrária fará com que o movimento acabe. “Se a elite brasileira quer destruir o MST é só fazer a reforma agrária, porque esse é o objetivo da existência do movimento.”

O depoimento foi ameno. O relator da CPI, deputado Mário Sérgio Zacheski (PMDB), conhecido como Bradock, fez um desabafo, pois fora chamado de inimigo dos sem-terra quando, em 1997, atuou como delegado em Querência do Norte e pediu a prisão de vários integrantes do MST. “Eu era policial e cumpria ordens”, desculpou-se. “Sou favorável ao movimento.” Recebeu palmas de vários sem-terra que compareceram à audiência.

Antes de responder às perguntas, Baggio fez uma explanação sobre a questão fundiária no País e no Paraná. Segundo ele, num Estado que tem mais de 342 mil propriedades, 61% das terras estão nas mãos de 26 mil grandes proprietários. Para Baggio, a Constituição é suficiente para balizar a reforma agrária, desde que haja uma regulamentação definindo a função social da terra. De acordo com ele, não pode mais ser levado em conta apenas a produtividade, mas também o respeito ao meio ambiente e aos direitos trabalhistas.

Baggio criticou a legislação que, em sua visão, “foi criada para segurar a luta social, para criminalizar quem quer um pedaço de terra”. Para o coordenador do MST, o que existe de bom em vários assentamentos pelo País partiu dos próprios assentados. “Em nenhum momento o aparato político ajudou”, acentuou. “O MST foi alvo de cerco político, jurídico e policial mas sobreviveu graças à solidariedade da sociedade.”