O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) anunciou hoje (07) que vai mobilizar seus cerca de 120 mil acampados para sua Jornada de Luta, até o fim do mês de abril. O membro da coordenação nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, diz que poderão acontecer ocupações de latifúndios improdutivos em 23 estados e no Distrito Federal.

Segundo ele, o MST já contabiliza 23 ocupações em três estados (Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Sul), desde sábado. "Possivelmente nos demais devam acontecer durante todo este mês de março e parte do mês de abril", disse hoje (7), em coletiva à imprensa em que a Via Campesina Internacional apresentou balanço sobre as ações do governo Lula para a reforma agrária.

"Nós achamos que há uma grande quantidade de famílias nos acampamentos e nós achamos que, mesmo os avanços que houve no governo Lula, ainda são muito poucos", disse ele. "Nós estamos convencidos de que, para avançar na reforma agrária, o MST vai ter que continuar fazendo ocupações de terra."

Nem todos os acampados farão ocupações, disse João Paulo, mas todos serão estimulados a participar de atividades que chamem a atenção da sociedade brasileira para a questão da reforma agrária e a situação dos acampados. Normalmente, o MST deve realizar também debates públicos, marchas e "trancar rodovias, se houver necessidade".

"Nós queremos conversar com a sociedade", diz. O coordenador do MST também diz que o debate precisa ser mais amplo, situando a reforma agrária na questão da política econômica, por exemplo. "As famílias nossas estão preparadas para fazer mobilização em todo o território nacional."

A Via Campesina calcula que, somando os diferentes movimentos de luta pela terra do país, haja mais de 200 mil pessoas acampadas por todo o país. Alguns, segundo João Paulo, estão acampados há seis anos. Só o MST diz ter 120 mil pessoas, em 650 acampamentos.

A Via Campesina diz que o governo tem condições de cumprir as metas assumidas em seu Plano Nacional de Reforma Agrária, de assentar 400 mil famílias até o fim da atual gestão. Até agora, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foram assentadas 235 mil famílias. Os movimentos pedem que o governo se comprometa a dar prioridade aos acampados.