Reivindicada pela Organização da Luta no Campo (OLC), a fazenda Varame, de 450 hectares, no município de Passira, no agreste, foi ocupada hoje por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O processo de desapropriação da área está em Brasília aguardando o decreto presidencial, de acordo com a superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira.

A ocupação foi anunciada pelo MST como parte da programação do movimento Grito dos Excluídos, no Dia da Independência, e pode acirrar uma disputa entre movimentos, além de contrariar a Medida Provisória que impede a desapropriação de terra ocupada.

Integrante da direção regional do MST, Edílson Barbosa disse desconhecer que a área estava na pauta da OLC. Informou que o MST tinha um acampamento na beira da estrada, nas proximidades da fazenda há quase dois anos e a ocupou para apressar a desapropriação. Ele adiantou que o movimento não tem a preocupação com a MP, que estaria “desgastada, praticamente sem efeito”.

Maria de Oliveira lembrou que a MP está em vigor e apontou a disputa entre movimentos sociais como uma agravante na questão agrária em Pernambuco. A prioridade do Incra, hoje, disse, é fazer o maior número possível de desapropriações para depois discutir com os movimentos sociais, de modo a não haver injustiças na seleção dos assentados. Para o líder da OLC, João Santos, ações como esta do MST “estão virando moda”.