Foto: Anderson Tozato/O Estado

A utilização comercial das penas da ave é bastante antiga. A venda do produto foi intensa nas eras egípcia, assíria e babilônica.

A beleza e a alegria do Carnaval brasileiro se devem, em grande parte, a uma ave, considerada a maior do mundo. Em muitas cidades que promovem desfiles de escolas de samba – como Rio de Janeiro e São Paulo -, a plumagem do avestruz, depois de tingida e seca, é um dos componentes principais na confecção de fantasias e adereços.

A utilização comercial das penas da ave é bastante antiga. A venda do produto foi intensa nas eras egípcia, assíria e babilônica. Na época das cruzadas, as plumas chegaram até a ser utilizadas por membros da realeza européia. Atualmente, também são aproveitadas na confecção de espanadores.

Muitas vezes, as penas são retiradas no momento do abate da ave, que também tem sua carne apreciada como alimento devido à baixa quantidade de gordura e seu couro utilizado na confecção de bolsas e sapatos. Porém, também existem criadores que mantêm o animal especialmente para a produção de plumas.

O negócio parece ser lucrativo, pois as penas encontradas nas asas de avestruzes machos chegam a custar R$ 800 o quilo. ?As penas das asas dos avestruzes são as maiores e mais bonitas. A grande vantagem de sua utilização é que o animal não precisa ser morto para que haja a comercialização do produto. Quando as penas de uma ave são retiradas, já começam a nascer novamente em um período de quinze dias?, afirma o médico veterinário Manoel Lucas Javorouski, que trabalha no zoológico de Curitiba, que mantém dois casais de avestruzes.

Em países da África, de onde o avestruz é originário, as penas da ave são consideradas símbolo de justiça. Isto acontece porque, quando medidas a partir do meio, elas possuem o mesmo tamanho em seus dois lados.

Características

Segundo Manoel, o avestruz foi considerado, há pouco tempo, animal doméstico pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tem como nome científico Struthio camelus. Além de ser a maior ave do mundo, podendo pesar até 150 quilos e medir até 2,5 metros de altura, é também responsável pela produção do maior ovo do mundo.

?O ovo do avestruz pesa entre 700 gramas e 1,5 quilo. Tem a casca muito resistente e, por isso, é utilizado por alguns povos da África como concha para pegar comida e cantil. No primeiro caso, o ovo é cortado no meio. No segundo, é feito um buraquinho na parte superior. Depois de retirada a gema e a clara, o ovo serve para que seja colocada água?, comenta o veterinário.

O número de ovos colocados pelos avestruzes varia de acordo com a fêmea. Geralmente, há um macho para uma fêmea dominante, que coloca cerca de dez ovos. Esta, pode permitir ou não a presença de três ou quatro fêmeas secundárias que, em geral, colocam quatro ovos cada uma. Ao macho é dada a função de chocar os ovos de todas, que começam a eclodir depois de um período que varia de 39 a 42 dias. Entre os animais, o dimorfismo sexual é bastante evidente. Os machos são identificados por serem pretos e terem as pontas das asas brancas. Já as fêmeas possuem o corpo todo acinzentado.

?Quando estão com filhotes, os avestruzes que vivem na natureza costumam se utilizar de um truque para enganar os predadores (geralmente grandes felinos). Quando percebem a aproximação de um, o macho ou a fêmea começa a mancar, cambalear e a se fingir de doente, atraindo a atenção do predador para si. Enquanto isso, o parceiro foge e leva os filhotes para um local seguro. Depois que isto acontece, quando o predador chega mais perto para dar o bote, o indivíduo que estava fingindo volta ao normal e sai correndo em grande velocidade?. Durante a corrida, o animal geralmente alcança entre 30 e 50 km/h. Em momentos de grande perigo, pode atingir cerca de 70 km/h.

A alta velocidade faz com que, em alguns países da África, os avestruzes sejam muito utilizados em corridas esportivas, muito parecidas com as de cavalos. Os animais geralmente são montados por jóqueis que apostam para ver quem chega primeiro a uma determinada marca ou local. Nestas competições, as pessoas que montam podem machucar o bicho se forem muito pesadas, devendo ser pequenas e leves.

Casuar foi inspiração para Spielberg

Outras ratitas que podem ser observadas no zoológico de Curitiba são o casuar (Casuarius casuarius) e o Emu (Dromaius novalholhandia). O primeiro, originário do Norte da Austrália, se destaca pelo corpo preto, pela cabeça colorida (em tons de azul), pela crista e por dois pingentes vermelhos presos no pescoço.

?As ratitas foram animais que mudaram muito pouco durante sua evolução. Devido a características pré-históricas, o casuar serviu de inspiração para o cineasta Steven Spielberg na época do filme O Parque dos Dinossauros. Os movimentos da ave foram utilizados para que fossem simulados os movimentos de alguns dinossauros?, revela Manoel.

O casuar é também a segunda maior ave do mundo em peso (perde para o avestruz), podendo alcançar 90 quilos. Em cada pata, tem três dedos. Em um deles, possui uma unha bastante longa e afiada, utilizada como uma verdadeira navalha para ferir inimigos em momentos de confronto. No zôo, são mantidos dois animais. Porém, apenas um é colocado para exposição, pois ambos são fêmeas e costumam brigar quando juntos.

Emu

Já os emus são originários da Oceania e pesam até 70 quilos. De acordo com o veterinário, até a metade do século XIX existiam duas espécies do animal, mas uma delas foi extinta devido à caça, só restando a Dromaius novalholhandia. ?A carne dos emus é muito visada. Porém, em alguns países o animal também foi combatido por ser considerado praga, atacando lavouras?.

Na capital paranaense, são mantidos pelo zoológico oito emus, sendo que quatro nasceram no local, há cerca de dois anos. Os animais não possuem dimorfismo sexual evidente. Por isso, não se sabe ao certo o número de machos e fêmeas.

Kiwi

Kiwi não é apenas nome de fruta. A denominação também pertence à ratita Apteryx australis, que não está presente no zôo da capital mas é muito conhecida na Nova Zelândia, onde é considerada ave símbolo.

De aparência esquisita, a kiwi é aproximadamente do tamanho de uma galinha. Tem hábitos noturnos e um bico bastante comprido, utilizado para defesa e ataque em lutas com inimigos.

Uma curiosidade sobre ela é que, na Segunda Guerra Mundial, as tropas neozelandesas eram reconhecidas e identificadas por utilizar uma imagem da kiwi em seus veículos. (CV)

As ratitas, grupo a qual pertence o avestruz, não voam

Os avestruzes pertencem ao grupo das ratitas, aves que não voam devido ao peso e a características especiais de suas asas (só utilizadas para manter o equilíbrio do corpo em momentos de corrida e para fazer a corte). Junto com eles, estão as emas (Rhea americana), consideradas as maiores aves do Brasil, onde podem ser encontradas em liberdade em estados como Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul.

Na América do Sul, as emas ocorrem até a região da Patagônia, se adaptando bem tanto ao calor quanto ao frio. Menores que os avestruzes, mas nem por isso consideradas pequenas, elas pesam até 36 quilos e chegam a atingir dois metros de altura, também chamando a atenção pelo longo pescoço.

Além do tamanho, as emas se diferem dos avestruzes pela quantidade de dedos. Enquanto eles possuem apenas dois, elas têm três. São animais considerados dóceis, cuja tendência é fugir em momentos de perigo. Porém, quando se sentem encurraladas, podem atingir os predadores (como os pumas) com um coice considerado bastante forte e violento. ?As emas pulam e em seguida dão o coice. Geralmente não usam o bico para se defender?, conta Manoel.

Entre as emas, o dimorfismo sexual não é tão evidente. Os machos possuem uma mancha preta no pescoço mais forte que a das fêmeas, mas só olhos bem treinados costumam perceber a diferença. Como entre os avestruzes, nos períodos de reprodução também existe um macho para cada quatro ou cinco fêmeas. Os acasalamentos ocorrem na primavera e no verão.

No zôo de Curitiba, podem ser observadas oito emas, algumas nascidas no próprio local, embora a reprodução dos animais já não aconteça há bastante tempo devido a problemas de umidade que, por sua vez, geram problemas de incubação dos ovos. Como outras ratitas, elas são alimentadas com frutos, folhas e pequenos roedores, como camundongos. Na natureza, também comem pequenos lagartos e insetos. (CV)