Familiares de vítimas do apartheid na África do Sul depositaram flores em túmulos e cantaram músicas contra o antigo sistema de segregação racial para celebrar o 50º aniversário de um massacre que foi condenado por todo o mundo. O massacre de Sharpeville, em 1960, também foi usado para lembrar as desigualdades que ainda existem na cidade meio século após o ocorrido, incluindo falta de eletricidade e água encanada.

Há 50 anos, policiais mataram 69 negros sul-africanos em Sharpeville, onde pessoas haviam se reunido para protestar contra os passaportes que o governo formado pela minoria branca exigia que eles carregassem todo o tempo. A polícia atirou nos manifestantes, entre eles mulheres e crianças.

O massacre levou o mundo todo a condenar o tratamento dado à maioria negra da África do Sul e fez o governo ligado ao apartheid desregulamentar o partido Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês). As primeiras eleições abertas a toda a população, incluindo negros, só foram realizadas em 1994 e o ANC tem governado o país desde então.

Hoje, o vice-presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, depositou flores no Jardim da Memória e passou algum tempo conversando com sobreviventes e familiares de vítimas do massacre. “Nós afirmamos que nunca, nunca e nunca novamente um governo vai se atribuir poderes para torturar, aprisionar arbitrariamente os oponentes e matar manifestantes”, disse Motlanthe a uma multidão de 5 mil pessoas reunidas em um estádio.