O egípcio Ayman al-Zawahiri foi nomeado o sucessor de Osama bin Laden no comando da Al-Qaeda, segundo um comunicado divulgado hoje em um site usado por radicais islâmicos. Bin Laden foi morto em uma operação de forças especiais norte-americanas em 2 de maio, na cidade paquistanesa de Abbottabad.

“O comando geral da Al-Qaeda, após concluir consultas, anuncia a elevação do xeque Ayman al-Zawahiri à responsabilidade de comandar o grupo”, afirma o texto postado no site Ansar al-Mujahidin, que tem vínculos com a rede terrorista, informa o Wall Street Journal.

O comunicado afirma que o grupo continuará sua guerra santa contra alvos ocidentais após a morte de seu líder. Zawahiri trabalhava proximamente com Bin Laden desde meados dos anos 1980, quando a dupla se envolveu na luta contra as forças soviéticas que estavam no Afeganistão. A parceria resultou na criação da Al-Qaeda e no atentado de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Zawahiri assume a rede em um período de mudanças importantes, com protestos em países árabes que derrubaram presidentes na Tunísia e no Egito, além de gerarem conflitos na Líbia, no Iêmen e na Síria, onde autoridades confrontam há tempos extremistas muçulmanos. Além disso, analistas apontam que ganham espaço lideranças extremistas mais jovens, da Al-Qaeda na Península Arábica, em países como Iêmen e Somália.

Formado em medicina, Zawahiri tem reputação formidável como líder operacional e teólogo radical, porém sem o mesmo carisma pessoal de Bin Laden, segundo especialistas. “Ele não projeta a calma e o comando de Bin Laden e teve no passado duras discussões com colegas”, disse Magnus Ranstorp, pesquisador diretor do Center for Asymmetric Threat Studies, do sueco National Defense College. “Será um grande desafio para ele manter a coesão e o controle.”

Nascido em uma família respeitável do Cairo, Zawahiri formou um grupo militante ainda enquanto estudava, com o objetivo de criar um Estado islâmico radical. Ele é membro fundador da Jihad Islâmica e chegou a passar três anos em uma cadeia egípcia. As informações são da Dow Jones.