Uma suspensão temporária nos conflitos na Síria, anunciada pela Rússia para permitir que rebeldes e moradores deixem as zonas sitiadas de Aleppo, começou nesta sexta-feira, com ativistas relatando uma calma relativa na cidade.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado na Grã-Bretanha, disse que, durante o início da pausa humanitária de dez horas anunciada, nenhuma grande ação militar síria, das forças aliadas ou de combatente de oposição foi registrada.

A TV estatal da Síria mostrou imagens de um dos corredores com ônibus estacionados à espera para transportar qualquer pessoa que saísse do leste de Aleppo. A polícia e clérigos islâmicos esperavam no cruzamento. De acordo com o Observatório, no entanto, até o meio dia ninguém tinha usado os corredores. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 275 mil pessoas estejam presas naquela região da cidade, controlada pelos rebeldes.

Yasser al-Youssef, porta-voz do grupo rebelde Nour el-Din el-Zinzi, afirmou que aviões de guerra continuaram atacando posições dos rebeldes na área ocidental de Aleppo mesmo durante a pausa na área oriental. A agência de notícias Qasioun informou que mísseis foram atirados sobre as cidades de Urem al-Kubra e Kfar Naha, a oeste de Aleppo, ferindo várias pessoas.

Ao longo da noite passada, folhetos das Forças Armadas Sírias foram jogados sobre o leste de Aleppo, orientando os moradores a deixar a área de forma segura, com as mãos levantadas. Nos folhetos, os rebeldes também eram estimulados a aproveitar a pausa e deixar a cidade. Com a pausa humanitária anunciada pela Rússia no começo desta semana, surgiram especulações de que uma grande ofensiva russa estaria sendo planejada para quando o prazo de dez horas expirar, na noite desta sexta-feira. O governo russo, no entanto, não fez nenhum pronunciamento oficial a respeito de quais serão os próximos passos, uma vez que a pausa humanitária acabar.

Recentemente, a Rússia enviou para a Síria seu porta-aviões Admiral Kuznetsov, o que pode significar que o país pretende aumentar seus ataques a regiões da cidade síria controladas pelos rebeldes. Segundo al-Youssef, os combatentes estão esperando uma “campanha aérea violenta” no leste da cidade quando a pausa acabar. “Os russos estão fazendo mais pressão nos rebeldes de Aleppo para que eles saiam da cidade, mas isso não vai acontecer”, informou a Associated Press.

A pausa humanitária veio em meio a uma ofensiva rebelde no oeste de Aleppo, região controlada pelo governo e que tem mais de um milhão de habitantes, incluindo pessoas que fugiram do leste da cidade. De acordo com a imprensa estatal, mísseis mataram 12 civis na terça-feira, naquela área da cidade.