O ex-primeiro-ministro iraquiano Ayad Allawi disse no sábado que o Iraqiya – bloco político secular que venceu as eleições parlamentares em 7 de março – está aberto à possibilidade de um governo de coalizão que restaurará a posição do Iraque no mundo árabe e muçulmano após anos de guerra.

“O povo iraquiano abençoou o Iraqiya ao escolhê-lo”, disse Allawi, líder do bloco, durante uma entrevista coletiva. “Estamos abertos a todos os poderes, a começar pela Aliança Estado de Direito, do primeiro-ministro Nouri Al-Maliki”, acrescentou.

Nas eleições, o Iraqiya obteve 91 das 325 cadeiras no Conselho dos Representantes, capitalizando o apoio de sunitas que atribuem ao governo atual a responsabilidade pelo aumento do sectarismo no país. Os sunitas, no entanto, representam entre 15% e 20% da população iraquiana, levando a crer que a vitória de Allawi também recebeu apoio da maioria étnica xiita. A Aliança Estado de Direito, de Maliki, ficou com 89 assentos no Parlamento.

O próximo primeiro-ministro assumirá o governo no momento em que presumivelmente os EUA terão completado a retirada das tropas do Iraque, no ano que vem. Maliki, que foi o parceiro dos norte-americanos no Iraque nos últimos quatro anos, afirmou que não aceitará o resultado da eleição, anunciado na sexta-feira à noite.

Algumas horas antes da divulgação do resultado do pleito, um ataque com duas bombas destruiu um restaurante numa cidade ao norte de Bagdá, matando 57 pessoas e ferindo outras 73, e colocou em evidência a violência que muitos iraquianos temem ser um fator prejudicial ao processo pós-eleitoral. As informações são da Associated Press.