O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou hoje a informação de que o Brasil poderia enriquecer urânio para o Irã. No Itamaraty, a versão divulgada de que o País poderia se envolver nesse esquema, como forma de permitir um acordo entre Teerã e o Ocidente, originou-se de distorções de declarações do diretor da organização iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi.

“Em nenhuma das conversas mantidas pelo governo brasileiro com o Irã foi tratada da possibilidade de enriquecimento do minério iraniano no País”, afirmou o chanceler Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa.

Na última quinta-feira, em palestra no seminário Global Zero: Um Mundo sem Armas Nucleares, em Paris, Amorim afirmou que houve “miopia tática” na forma como as negociações com o Irã foram conduzidas. Insistiu que o Ocidente deveria insistir na discussão do acordo de troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com o Irã, por se tratar de uma “oportunidade que não pode ser esquecida”. “Na opinião do Brasil, as negociações conforme o conceito da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não foram ainda exauridas”, declarara.

No mesmo dia, em Teerã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad declarou à rede estatal de televisão que o Irã estaria “pronto” para embarcar o urânio ao exterior. Em dezembro passado, em visita a Ahmadinejad, Amorim havia sugerido que o governo iraniano desse mais dois meses de prazo para a continuidade das negociações antes de implementar seu plano de construção de novas plantas de enriquecimento.