A antiga diocese do papa Bento 16 admitiu hoje que cometeu um erro ao permitir que um padre suspeito de ter abusado sexualmente de uma criança retornasse ao trabalho pastoral. No entanto, a diocese assegurou que Bento 16, arcebispo local na época, não esteve envolvido na decisão.

Na Alemanha, a arquidiocese de Munique informou que o capelão suspeito passou por tratamento psicológico em 1980. A diocese informou ter ficado ciente de seus “sérios erros” pelo jornal Sueddeutsche Zeitung, que tratou do assunto em sua edição de sábado.

O homem, identificado apenas como H, recebeu permissão para ficar na moradia para padres enquanto passava pela terapia, uma decisão na qual o então arcebispo Joseph Ratzinger esteve envolvido, diz o comunicado.

O documento diz que os funcionários acreditavam que era sabido que a terapia era relacionada a suspeitas “relações sexuais com meninos”. Porém, o comunicado diz que um funcionários de posto inferior – o vigário-geral Gerhard Gruber – permitiu que ele realizasse trabalho pastoral em Munique, decisão pela qual assume “total responsabilidade”.

A assessoria de imprensa do Vaticano destacou, num breve comunicado divulgado nesta sexta-feira, que Gruber assumiu “total responsabilidade” pela transferência do padre, após a terapia, para ações pastorais. A arquidiocese alega que não há acusações contra o capelão no período entre fevereiro de 1980 e agosto de 1982 em Munique.

Ele então se mudou para perto de Grafing, mas foi suspenso no início de 1985, após acusações de abuso sexual, as quais a arquidiocese não detalhou. No ano seguinte, ele foi condenado por abuso sexual de menores.

A pena foi de 18 meses em liberdade condicional e uma multa de 4 mil marcos alemães, que equivaleria a US$ 2.800 em valores atualizados, prosseguiu a arquidiocese.

O principal bispo da Alemanha também explicou ao papa os casos de abuso sexual cometidos por clérigos em sua terra natal e disse que Bento 16 o encorajou a buscar a fé e atender às vítimas. No Vaticano, o arcebispo Robert Zollitsch disse que o papa ficou “muito consternado” e “profundamente tocado” enquanto era informado sobre o escândalo durante os 45 minutos de audiência privada no Vaticano. Ratzinger foi arcebispo de Munique e Freising entre 1977 e o início de 1982.