A França tem reservas de combustíveis para várias semanas e não há desabastecimento, segundo informou hoje a ministra de Finanças do país, Christine Lagarde, enquanto grupos intersindicais promovem mais uma jornada de mobilizações contra a reforma do sistema previdenciário no país. “Há estoques. O governo confirma que não há escassez de abastecimento”, afirmou Lagarde, em entrevista à emissora de rádio RTL.

A ministra disse que mesmo se os 230 reservatórios de petróleo da França deixassem de funcionar por falta de diesel e gasolina, eles representam apenas cerca de 2% dos 13 mil pontos de varejo do país. O suprimento de produtos derivados de petróleo na França tem sido comprometido por greves de funcionários de portos e refinarias. Na mobilização, 10 das 12 refinarias da França deixaram de funcionar e as outras duas estavam gradualmente reduzindo a produção.

Ontem, o governo ordenou que forças policiais reabrissem alguns dos depósitos de produtos petrolíferos. A greve já provocou um corte no abastecimento dos principais aeroportos de Paris. O Ministério dos Transportes informou que o aeroporto Charles de Gaulle, o mais importante da França, localizado na região de Roissy, tinha uma quantidade de combustível de aviação suficiente só até a segunda-feira à noite ou a terça-feira. “Nós temos alternativas para encontrar uma solução para suprir o aeroporto. Estamos confiantes”, disse um porta-voz do ministério que pediu para não ter sua identidade revelada. “O oleoduto que abastece o Charles de Gaulle e o Aeroporto de Orly está operando intermitentemente”, disse.

Manifestações

Hoje o Ministério do Interior informou que pelo menos 340 mil manifestantes foram às ruas das principais cidades da França até o horário de almoço, numa mobilização contra a reforma da previdência. Os sindicatos tentam ampliar a pressão sobre o governo para que volte atrás nas medidas. As mudanças mais impopulares elevam de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 anos a idade em que o trabalhador pode se aposentar com direito a receber a plenitude dos benefícios a que teria direito.

Os trabalhadores do complexo portuário de Fos Lavera, no sul da França, completavam hoje 20 dias seguidos de greve, em razão das propostas de reforma nos contratos de trabalho da categoria. As autoridades portuárias informaram que 63 cargueiros e três barcaças estavam bloqueadas pelos manifestantes, que protestam contra a reforma no porto.

Entre as embarcações afetadas estavam cinco navios que transportam produtos químicos, oito com gás liquefeito natural, 15 embarcações com petróleo bruto e outras 13 com produtos derivados. No porto de Marselha, no Mar Mediterrâneo, outros 13 navios petroleiros, cinco embarcações com produtos petrolíferos, dois com gás liquefeito e outros dois com químicos estavam bloqueados, segundo as autoridades. As informações são da Dow Jones.