O presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitou nesta quarta-feira (20) uma capela militar em Cabul na qual estavam os corpos de 10 militares franceses mortos em combate. No mesmo dia, confrontos no leste do Afeganistão deixaram 19 combatentes do Taleban mortos, informaram funcionários.

“Mesmo que o número (de mortos) seja tão alto, vocês devem estar orgulhosos do que estão fazendo. O trabalho que vocês estão fazendo é indispensável”, disse Sarkozy às tropas. Segundo o presidente, serão tomadas providências para “garantir que isso não ocorra de novo”.

Sarkozy também se reuniu com o presidente afegão, Hamid Karzai, no palácio presidencial. Karzai manifestou pesar e dor “do povo afegão com o povo francês pela perda que ele sofreu”.

Karzai atribuiu o recente aumento da violência no país à falta de atenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do próprio Afeganistão aos refúgios de militantes e campos de treinamento, em uma clara referência à área tribal paquistanesa na fronteira. “A menos que façamos isso (prestar mais atenção), continuaremos a sofrer.”

Os soldados franceses estavam em uma missão de reconhecimento na terça-feira, quando foram emboscados por cerca de 100 militantes nas montanhas de Surobi, no leste do país. Segundo o ministro de Defesa francês, Herve Morin, cerca de 30 supostos militantes foram mortos e outros 30 feridos no confronto. Atuam em Surobi membros do Taleban e militantes aliados ao renegado senhor da guerra Gulbuddin Hekmatyar, ex-primeiro-ministro do Afeganistão.

Foi o ataque mais violento a tropas internacionais no Afeganistão desde 2005, quando 16 soldados norte-americanos foram mortos após o helicóptero em que viajavam ter sido atingido por uma granada propelida por foguete.

Sarkozy interrompeu suas férias para fazer a viagem. Ele garantiu que o compromisso francês com a missão integrada por 40 nações em território afegão “permanece inalterado”.

VIOLÊNCIA – Os militantes têm mostrado mais determinação para confrontar as tropas dos Estados Unidos e da Otan, em uma tentativa de retomar espaço após quase sete anos da invasão liderada por Washington.

No último incidente, 19 combatentes do Taleban foram mortos em dois confrontos separados nas províncias de Khost e Paktia, no leste. Um soldado da coalizão foi morto por militantes durante uma patrulha no oeste.

Dez supostos militantes foram mortos no distrito Alisher, em Khost, após atacarem uma empresa de construção, segundo a polícia provincial. Outros nove militantes foram mortos no distrito de Zormat, em Paktia, segundo o chefe da polícia provincial. Os militantes estavam reunidos em uma área aberta quando foram atacados por forças afegãs e estrangeiras.

Mais de 3.400 pessoas morreram em incidentes relacionados à violência neste ano, a maioria militantes. O dado é um levantamento da Associated Press, com base em números de funcionários ocidentais e afegãos.

CRÍTICAS – Morin disse que os militares franceses devem melhorar sua capacidade no setor de inteligência. “Nossos homens não estavam em condições de responder, e caíram – de acordo com todas as evidências – nos primeiros minutos”, afirmou o ministro

Alguns sobreviventes ouvidos pelo Le Monde, porém, deram uma versão diferente. Segundo eles, que falaram sob condição de anonimato, as mortes ocorreram após horas de combate. Os soldados falaram que aguardaram reforço durante horas e ainda que ataques aéreos da Otan atingiram os próprios franceses, em um incidente de fogo amigo.

O chefe do Partido Socialista, François Hollande, solicitou um encontro de emergência de comitês parlamentares de defesa e relações internacionais para discutir o Afeganistão. Hollande pediu uma “reflexão sobre o sentido dessa presença no Afeganistão”. Ele não pediu, porém, a volta das tropas.

As informações são da Associated Press.