Os governos árabes deixam de lado suas diferenças ideológicas e históricas em Doha, no Catar, para proteger o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, de acusações de crimes contra a humanidade, ordenar estupros em massa e deixar parte da população de Darfur morrer de fome. Mas a cúpula da Liga Árabe, concluída na segunda-feira (30), não conseguiu esconder as profundas divisões entre o bloco e as Nações Unidas em relação à situação em Darfur. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez dura crítica em Doha a Bashir, indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes em Darfur. A Liga Árabe, por seu lado, aprovou por unanimidade uma resolução forte, alertando que o TPI é um sinal da interferência do Ocidente sobre a política regional e rejeitando o mandado de prisão contra o sudanês.

A poucos metros de Bashir, Ban exigiu que Cartum voltasse a admitir a entrada de ONGs humanitárias, expulsas após o indiciamento. “A situação de segurança no Sudão ainda é volátil e estou preocupado com a decisão de expulsar as ONGs”, disse. Segundo a ONU, 1 milhão de pessoas estão sem nenhum tipo de assistência em Darfur por causa da decisão. Para ele, o trabalho humanitário “não pode ser politizado”.

Já o sudanês agradeceu a solidariedade. “Precisávamos de uma posição forte e clara rejeitando a decisão (do TPI) e demandando aqueles que a fabricaram de anulá-la”, disse, ao final da cúpula concluída ontem, um dia antes do previsto. A ideia da Liga Árabe é de conseguir agora, por meio do Conselho de Segurança, que o mandado de prisão seja revisto.