Um atentado com bomba que deixou ao menos 28 feridos em Tel Aviv gerou pânico entre os moradores da cidade e demonstrou que, apesar de seu moderno sistema antimísseis, o coração do país ainda é vulnerável a ataques.

O primeiro atentado num ônibus na cidade desde abril de 2006, quando um homem-bomba matou 11 pessoas, ocorreu horas antes do anúncio de cessar-fogo entre Israel e Gaza, e acreditou-se, por um momento, que ele adiaria o início de uma trégua entre os dois lados.

O ataque aconteceu logo após o almoço, no centro de Tel Aviv e ao lado do complexo da Kirya, que abriga escritórios do governo de Tel Aviv e o Campo Rabin, a principal base das Forças de Segurança Israelenses. O ônibus, da linha 142, contudo, era ocupado por civis.

Ainda não se sabe como a bomba teria sido detonada, mas especula-se que o autor do atentado estava no local e conseguiu fugir. Um suspeito chegou a ser preso meia hora depois, mas foi logo liberado.

O Hamas comemorou o atentado, mas não assumiu a autoria. Em mensagem no Twitter, o braço armado do grupo repetiu que os israelenses “abriram os portões do inferno”.

“Nós lhe dizemos, Exército de Israel, que nossas mãos abençoadas vão atingir seus líderes e soldados em qualquer lugar que estejam.”

A milícia ainda defendeu que os israelenses deixem o território que seria dos palestinos.

“Voltem para casa agora, voltem para Alemanha, Polônia, Rússia, Estados Unidos ou qualquer lugar que seja.”

Tel Aviv já vinha sendo alvo de foguetes de Gaza desde o segundo dia da operação Pilar de Defesa. Um projétil chegou a atingir os arredores da cidade e um caiu no mar, mas a grande maioria foi interceptada pelo sistema antimísseis chamado de “Domo de Ferro”.

Para os moradores, o atentado teve mais impacto que a ameaça dos foguetes de Gaza, por lembrar os ataques a ônibus que eram comuns no início dos anos 2000.

“Fiquei surpresa e assustada, porque pensei que a guerra era no sul do país. Agora tenho medo de pegar um ônibus”, disse Yafa Kessler, 46, ao Guardian.