Insurgentes atacaram uma sessão eleitoral com bombas e atiraram granadas contra eleitores hoje matando 36 pessoas em ataques cujo objetivo é intimidar os que decidiram participar do pleito que vai determinar se o país pode superar duas divisões sectárias que atormentam o país desde a invasão de 2003, liderada pelos Estados Unidos.

Muitos iraquianos esperam que as eleições os coloquem no caminho da reconciliação nacional enquanto os Estados Unidos se preparam para retirar suas forças de combate do país até o final do verão (no hemisfério norte) e todas as suas tropas até o final do ano que vem.

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki luta por seu futuro político, tendo de um lado uma coalizão formada principalmente por grupos religiosos xiitas e de outro uma aliança secular que combina xiitas e sunitas.

Apesar dos disparos de morteiros nas vizinhanças, os eleitores da capital compareceram em massa às sessões eleitorais. Segundo a polícia, aconteceram pelo menos 20 ataques com morteiros na vizinhanças logo após o amanhecer. Morteiros também caíram na Zona Verde, a fortificada região onde estão a Embaixada dos Estados Unidos e o escritório do primeiro-ministro.

As urnas foram fechadas às 17h (horário local) e funcionários eleitorais disseram que os resultados preliminares só serão divulgados dentro de alguns dias. Observadores lembram que as eleições são apenas um primeiro passo do processo político. Com as divisões da política iraquiana, serão necessários meses de negociações após a divulgação dos resultados até que um governo seja formado.

Muitos veem as eleições com ponto a partir do qual o Iraque vai decidir se vai aderir a políticos de linhas xiitas, sunitas ou curdas ou deixar de lado as tensões étnicas e sectárias que surgiram desde a queda do governo de Saddam Hussein.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou os iraquianos que tomaram parte na eleição histórica. “Nós lamentamos as trágicas perdas de vida e homenageamos a coragem e a capacidade de recuperação do povo iraquiano que mais uma vez desafiou as ameaças para avançar rumo à democracia”, disse ele em comunicado.

 

Ao deixar as sessões eleitorais, os iraquianos mostravam seus dedos manchados de roxo, a imagem das eleições neste país rico em petróleo com quase 28 milhões de habitantes. As informações são da Associated Press.